A Acadêmicos de Niterói está prestes a apresentar um desfile que pode gerar controvérsias e riscos para a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo escolherá homenagear o petista na Sapucaí com um samba-enredo chamado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
A decisão do grupo gerou preocupações entre os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que alertaram para o risco de eventuais ilícitos eleitorais durante a apresentação. A presidente do TSE, Cármen Lúcia, afirmou que o Carnaval não pode se transformar em espaço para propaganda irregular e que a presença do presidente no evento cria um “risco concreto” de excessos que podem ser analisados posteriormente pela Justiça Eleitoral.
André Mendonça, ministro do TSE, também expressou preocupação com o desfile, afirmando que pode causar confusão entre “o que é artístico e o que é propaganda eleitoral”. Ele lembrou que o presidente exerce o cargo de presidente da República e já manifestou publicamente que será candidato à reeleição, e que o carnaval é uma festa popular com ampla cobertura dos meios de comunicação e repercussão social.
A expectativa é que Lula acompanhe o desfile de um camarote oficial, e a primeira-dama, Janja da Silva, é aguardada entre os integrantes da escola. Diante da controvérsia, o diretório do PT no Rio orientou militantes a evitar roupas, faixas ou mensagens que façam referência a eleições, ao número 13 ou a slogans como “Lula 2026”.
A polêmica não é inédita, e escolas de samba já homenagearam políticos em outros anos eleitorais. No entanto, a diferença agora é que o homenageado ocupa a Presidência da República e pode disputar novo mandato. A Justiça Eleitoral avaliará, após o evento, se houve extrapolação dos limites legais.
A Acadêmicos de Niterói pode receber até R$ 9,65 milhões em recursos públicos de diferentes esferas de governo, o que pode ser questionado como conduta vedada ou uso indevido dos meios de comunicação. A eventual inelegibilidade de Lula é considerada uma medida extrema, que só ocorre quando a irregularidade tem gravidade suficiente para comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral.
O samba-enredo faz menção indireta ao número 13, tradicionalmente associado ao PT, ao afirmar que Lula levou “treze noites, treze dias” para viajar de Pernambuco a São Paulo ainda na infância, ao lado da mãe. A referência é interpretada por adversários como alusão à identidade eleitoral do partido em pleno ano de disputa. Outro trecho que gerou debate é o verso “Assim que se firma a soberania/Sem mitos falsos, sem anistia”, que é vista como uma crítica indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em resumo, a apresentação da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí pode gerar controvérsias e riscos para a candidatura à reeleição de Lula, e a Justiça Eleitoral avaliará, após o evento, se houve extrapolação dos limites legais.
