O paraguaçuense Aldemir Bendine, atual presidente executivo do Banco Digimais, está mais uma vez no centro das atenções nacionais. Nesta terça-feira (23), o executivo tornou-se um dos principais alvos da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal. A ação policial investiga uma teia complexa de fraudes contábeis, manipulação de balanços e operações ilegais no mercado financeiro.
Quem é Aldemir Bendine e qual o motivo da investigação da PF?
Nascido em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, Bendine é uma figura amplamente conhecida nos bastidores do poder econômico e político brasileiro. Atualmente no comando do Banco Digimais, ele é investigado por supostamente integrar uma administração que inflava resultados e ocultava a verdadeira situação financeira da instituição.
A Polícia Federal aponta que o banco estaria replicando o “modus operandi” de outras instituições sob suspeita. O esquema envolvia a captação massiva e agressiva de recursos no mercado, atraindo clientes por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno exorbitantes, muito acima da média praticada de forma regular no setor.
Da carreira bancária à presidência de gigantes estatais
A trajetória profissional de Bendine teve início em 1978, quando ingressou como escriturário. Com uma ascensão contínua, construiu uma carreira de mais de três décadas que culminou em sua nomeação para a presidência do Banco do Brasil em 2009. Seu trânsito livre nos altos escalões o levou, em 2015, à presidência da Petrobras, onde permaneceu até maio de 2016, com a missão inicial de estancar a crise gerada pelo início das apurações contra a estatal na época.
O histórico de condenações na Operação Lava Jato
Apesar do currículo de peso, a biografia do executivo paraguaçuense é marcada por sérios embates com a Justiça. Em 2017, Bendine foi preso durante os desdobramentos da Operação Lava Jato. O Ministério Público Federal (MPF) o acusou de receber R$ 3 milhões em propinas da empreiteira Odebrecht, em troca de favorecimentos ilícitos ligados a contratos da Petrobras. O executivo sempre refutou categoricamente as acusações.
No ano de 2018, sofreu uma condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha anulado a sentença em 2019 por questões processuais, a retomada do processo resultou em um novo revés. Em 2021, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou sua condenação a seis anos e oito meses de prisão.
O retorno ao setor financeiro e o novo escândalo
Após o turbilhão judicial, Bendine articulou seu retorno ao mercado. Em dezembro de 2025, assumiu a presidência do Banco Digimais. A justificativa oficial da instituição à época era de que a sua contratação lideraria uma robusta estratégia de expansão focada no crédito consignado. Contudo, meses após sua nomeação, a gestão esbarra agora na mira da Operação Miragem, colocando o futuro do banco e do executivo novamente sob intenso escrutínio policial.
