Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, descreveu em depoimento à Polícia Federal a situação de fraude que levou ao colapso do Banco Master. De acordo com suas declarações, a instituição possuía apenas R$ 4 milhões em caixa na época da liquidação, um valor insignificante em comparação com as fraudes investigadas, que somam cerca de R$ 12 bilhões – três mil vezes superior ao montante disponível.
Os depoimentos da acareação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e outras pessoas ouvidas no final do ano passado foram liberados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, após um pedido do próprio Banco Central. Os vídeos foram disponibilizados no site da Corte, permitindo que a população tenha acesso aos fatos.
A investigação interna do Banco Central, aberta para apurar a fiscalização e a liquidação do Banco Master, é apenas uma das consequências da fraude. O diretor Aquino também comparou o caso ao da fraude ocorrida durante o governo Dilma, apontando a falta de supervisão e a corrupção como principais responsáveis pelo colapso da instituição financeira.
É notável a disparidade entre o patrimônio total do Banco Master e o dinheiro disponível para movimentação imediata. Com aproximadamente R$ 80 bilhões em títulos, a instituição deveria manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em caixa. No entanto, o Master possuía apenas uma fração mínima desse valor, R$ 4 milhões, o que levou o diretor a declarar que “um banco de R$ 80 bilhões deve ter liquidez de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões em títulos livres. O Master, antes da liquidação, tinha apenas R$ 4 milhões”.
Além disso, Aquino comparou a fraude do Banco Master ao caso do Banco Cruzeiro do Sul, descoberto em 2012. Segundo ele, a instituição também emitiu títulos de crédito falsos para “hidratar” artificialmente o caixa, demonstrando a falta de ética e a corrupção que caracterizam a fraude. A situação é alarmante e requer uma investigação rigorosa para punir os responsáveis e evitar que esse tipo de fraude ocorra novamente.
