Famílias que se prepararam para acompanhar os filhos no tradicional desfile foram surpreendidas com o cancelamento anunciado durante a programação cívica; desabafo de pai expõe sentimento de frustração entre parte dos presentes
O cancelamento do tradicional Desfile Cívico de 7 de Setembro, em Paraguaçu Paulista, provocou frustração e revolta entre famílias que haviam se preparado para participar da programação nesta segunda-feira.
A decisão da Prefeitura foi anunciada durante a manhã, quando participantes e público já estavam mobilizados para o evento. A administração municipal informou que o desfile foi cancelado em razão das condições climáticas adversas, alegando a necessidade de preservar a segurança de estudantes, integrantes de fanfarras, servidores e do público.
Os atos cívicos, incluindo o Hasteamento das Bandeiras, foram mantidos. Já o desfile pela Avenida Paraguaçu acabou suspenso.
A decisão, entretanto, gerou questionamentos entre pessoas que estavam no local. Pais e mães haviam acordado cedo, preparado os filhos, providenciado uniformes e acompanhado os ensaios para uma apresentação que faz parte da tradição do município.
Um pai que estava acompanhando o filho decidiu gravar um vídeo para manifestar sua indignação. Ele fez questão de destacar que não costuma se envolver em questões políticas e que, até então, tinha uma avaliação positiva da administração municipal.
“Eu sou apolítico, não puxo nem para um lado nem para o outro. Eu admiro a administração do atual prefeito”, afirmou.
Segundo ele, justamente por não se considerar opositor da administração, a decisão de se manifestar teria sido ainda mais difícil.
O pai questionou principalmente o impacto do cancelamento sobre as famílias que se organizaram para o desfile.
“Quantos pais, quantas mães correram atrás de uniforme dos seus filhos”, disse, destacando que algumas famílias podem ter feito sacrifícios financeiros para conseguir preparar as crianças para a apresentação.
Ele também questionou as condições observadas naquele momento, afirmando que, embora tivesse ocorrido uma chuva leve mais cedo, durante o horário em que o desfile aconteceria o que predominava era o frio.
“Vocês cancelam um evento desse por causa do frio?”, questionou.
Em seu relato, ele contou que o próprio filho estava empolgado para desfilar e que, diante da melhora aparente do tempo, chegou a acreditar que a programação aconteceria normalmente.
O desabafo também chama atenção para o fato de que crianças e adolescentes já estavam no local utilizando os uniformes preparados especialmente para a ocasião.
“Desrespeitando o sacrifício que as pessoas fizeram para estar nesse evento”, afirmou o pai.
A crítica principal, portanto, não se limita ao cancelamento em si, mas ao momento em que a decisão foi comunicada. Para algumas famílias, o sentimento foi de que a expectativa poderia ter sido evitada caso uma decisão tivesse sido tomada e comunicada com maior antecedência, especialmente diante da previsão de chuva e das condições climáticas registradas desde as primeiras horas da manhã.
O pai também comparou a situação com experiências de anos anteriores. Segundo ele, quando participou do Tiro de Guerra, chegou a desfilar mesmo sob chuva.
“Teve um dia que estava chovendo, nós descemos com chuva e tudo”, relatou.
Ao final do vídeo, ele direcionou um pedido ao prefeito e à administração municipal:
“Capricha aí, por gentileza, para nós continuar gostando de você.”
O tom do depoimento resume uma das principais reações observadas após o cancelamento: a frustração de quem esperava participar de uma tradição, preparou os filhos e esteve presente na avenida, mas acabou vendo a programação ser interrompida.
DECISÃO DIVIDE OPINIÕES
A Prefeitura sustenta que a decisão foi tomada para preservar a integridade física dos participantes e do público diante das condições climáticas adversas.
Por outro lado, entre parte das famílias presentes, a discussão passou a ser sobre a possibilidade de uma comunicação antecipada ou de uma mudança no horário do desfile.
O evento reuniria dezenas de grupos e diferentes segmentos da comunidade em uma programação tradicional de 7 de Setembro, envolvendo estudantes, fanfarras, servidores e famílias.
Até o momento, não foi divulgada uma nova data ou horário para a realização do desfile.
A situação deixa, além do debate sobre a decisão administrativa, uma marca de frustração para crianças que se prepararam, famílias que se organizaram e participantes que chegaram ao local esperando viver mais uma manhã de celebração da Independência do Brasil em Paraguaçu Paulista.
