Cocal Vence Leilão e Lidera Geração de Energia com Biometano

Empresa investe R$ 30 milhões em Paraguaçu Paulista e Narandiba para fornecer eletricidade limpa ao Sistema Nacional de Energia.

A Cocal conquistou um marco histórico no setor energético brasileiro ao vencer o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) para fornecer eletricidade utilizando biometano. Esta é a primeira vez que uma fonte de energia renovável supera as tradicionais alternativas fósseis em um certame focado exclusivamente em capacidade de prontidão no país. Com a aprovação de dois projetos estratégicos, a companhia desponta como pioneira na geração de energia a partir do biometano em escala nacional, com reflexos econômicos diretos e geração de empregos nas operações de Paraguaçu Paulista e Narandiba.

A iniciativa exigirá um aporte financeiro da ordem de R$ 30 milhões, com infraestrutura programada para conclusão até agosto de 2028. O objetivo central da operação é disponibilizar 10 megawatts (MW) de potência total ao Sistema Interligado Nacional (SIN) durante os momentos de pico extremo de consumo. Em termos práticos, o contrato firmado garante uma receita projetada de R$ 345 milhões ao longo de 15 anos de atuação continuada.

O que significa a vitória inédita do biometano no leilão de energia?

Tradicionalmente dominado por combustíveis fósseis — devido à necessidade de geração ininterrupta e sem o risco da intermitência climática —, o leilão abriu espaço, de forma inédita, para uma alternativa limpa e de alta eficiência. O biometano possui a exata composição molecular do gás natural fóssil, mas carrega uma vantagem inquestionável: é originário de fontes 100% renováveis. Diferente de usinas solares ou eólicas, essa matriz pode ser acionada instantaneamente sob demanda, assegurando a estabilidade imediata da rede elétrica.

Investimentos e Impacto Industrial em Paraguaçu Paulista

A infraestrutura pré-existente foi o diferencial competitivo definitivo para o sucesso no certame. Em Paraguaçu Paulista, a unidade industrial já purifica diariamente cerca de 60 mil metros cúbicos de biometano. Até a aprovação neste leilão, o insumo era destinado exclusivamente ao abastecimento verde das frotas agrícolas. Em paralelo, no polo de Narandiba, o biogás bruto é obtido de forma contínua por meio da biodigestão de resíduos sucroalcooleiros abundantes na região, como a vinhaça e a torta de filtro. A versatilidade do modelo garante que, quando o fornecimento ao sistema elétrico nacional não for requisitado, o gás continuará exercendo sua função original de combustível.

Como funciona a integração e a viabilidade do sistema?

Historicamente, a queima do bagaço da cana-de-açúcar sempre desempenhou um papel vital na cogeração regional. Contudo, o processo de gerar vapor demanda tempo logístico para o aquecimento inicial das caldeiras. O biometano, por sua vez, contorna essa barreira entregando resposta imediata, requisito fundamental exigido pelas normas do LRCAP.

Embora o custo operacional para transformar o gás purificado em eletricidade seja ligeiramente mais elevado em comparação ao biogás em estado bruto, a estruturação econômica do leilão equilibra o negócio. O preço estipulado em R$ 2.900 por megawatt-hora (MWh) ao ano torna a operação altamente viável a longo prazo. Hoje, a estrutura operacional já é capaz de exportar centenas de milhares de MWh anuais, e a inserção dessa tecnologia pioneira consolida nossa região no mapa da inovação e da segurança energética do Brasil.

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