O debate sobre o futuro turístico da cidade subiu de nível nesta semana, saindo das discussões de redes sociais e aplicativos de mensagens para entrar na esfera da cobrança documental oficial. Dois conselheiros, representando a iniciativa privada no Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), protocolaram um requerimento formal exigindo ampla transparência da Secretaria de Turismo sobre a gestão de recursos e o planejamento para os atrativos turísticos da cidade.
O foco principal do questionamento é o patrimônio histórico ferroviário, especialmente a locomotiva “Maria Fumaça”, cuja volta aos trilhos chegou a ser publicamente prometida pela atual gestão da Pasta de Turismo. Após declarações recentes do Secretário de Turismo, Rubens Aleixo, apontando limitações técnicas em um maquinário de 1879, entraves com a concessionária Rumo e a necessidade de um caro Estudo de Viabilidade Econômica exigido pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), os conselheiros decidiram agir.
O ofício, direcionado ao presidente do COMTUR, Sandro Willian, pede que a pauta seja registrada em Ata na próxima reunião e que a Secretaria de Turismo seja notificada a responder, com base na Lei de Acesso à Informação, a uma série de questionamentos objetivos.
Entre as principais perguntas formuladas no documento, destacam-se:
- Investimentos reais: Qual o montante de dinheiro público já investido na reforma e manutenção da Maria Fumaça, do Museu do Trem (Estação Paraguaçu) e do Memorial das Irmãs Galvão (Sapezal), especialmente durante a atual gestão?
- Estudos e Planejamento: Há orçamento previsto para a contratação do Estudo de Viabilidade Econômica exigido pela ABPF?
- Busca de Alternativas: O município oficializou pedidos ao DNIT, IPHAN, CPTM ou à própria Rumo Logística visando patrocínios, doações ou a cessão de uma locomotiva que tenha real capacidade de tração?
- Atrativos fechados: Com a inoperância do trem, qual é o plano de ação concreto para que o Museu do Trem e o Memorial em Sapezal não se deteriorem e voltem a funcionar regularmente de forma independente?
O movimento dos conselheiros marca um novo momento para o turismo em Paraguaçu Paulista, onde o trade turístico e a iniciativa privada, responsáveis por operar o setor na prática, passam a cobrar uma “ambiência” favorável do poder público, baseada em dados reais e não apenas em expectativas.
“A iniciativa privada só consegue planejar seus investimentos e pacotes quando há atrativos âncoras funcionando e informações claras da gestão”, aponta o escopo da discussão levada ao conselho. O objetivo do requerimento não é apenas apontar falhas, mas forçar a criação de um cronograma oficial e transparente, respondendo em definitivo se o projeto do trem turístico será de fato levado adiante ou engavetado.
O documento agora aguarda inclusão na pauta da próxima reunião ordinária do COMTUR, onde a Secretaria de Turismo deverá apresentar as planilhas e respostas exigidas, promovendo um debate aberto com todo o conselho.
