Justiça feita: homem que tentou matar ex-companheira com golpes de faca em Paraguaçu Paulista é condenado a 20 anos de prisão
Um ano após o crime que quase tirou sua vida, Rosiane Fernandes da Silva viu o agressor ser condenado pelo Tribunal do Júri. Conselho de sentença foi formado inteiramente por sete mulheres.
Exatamente um ano após enfrentar a violência extrema e lutar contra a própria morte, Rosiane Fernandes da Silva, de 39 anos, viu a justiça ser feita. Em sessão do Tribunal do Júri realizada no último dia 22 de outubro de 2026, o ex-marido responsável por uma brutal tentativa de feminicídio foi condenado a 20 anos de reclusão em regime inicial fechado.
O crime que chocou Paraguaçu Paulista aconteceu no dia 22 de outubro de 2025, no bairro Humberto Soncine. Na ocasião, Rosiane buscou ajuda na casa da ex-sogra para que ela intercedesse diante das agressões verbais que vinha sofrendo do ex-companheiro, identificado nos autos do processo como Vitor Gustavo da Silva Barroso. No entanto, ao chegar ao local, foi surpreendida pelo agressor. Em meio à discussão, o homem desferiu um golpe de faca em suas costas.
Mesmo ferida, Rosiane tentou escapar, mas caiu ao solo e continuou sofrendo novos golpes de faca e chutes pelo corpo. O ataque só foi interrompido quando a mãe do agressor interveio e conseguiu afastá-lo. Socorrida às pressas por populares e encaminhada à Santa Casa da cidade, a vítima permaneceu internada no setor de emergência, chegando a dar entrada no hospital com a lâmina da faca cravada no corpo.
O agressor havia fugido após o crime, mas se apresentou à polícia uma semana depois, permanecendo preso preventivamente ao longo de todo o processo judicial até o julgamento pelo Tribunal do Júri.
“Lutei pela minha vida pelas minhas três filhas”
O desfecho do caso trouxe um marco de alívio e encerramento para um ciclo de terror. O julgamento teve uma forte carga simbólica e emocional: o conselho de sentença foi composto inteiramente por sete mulheres, que acataram as teses da acusação e condenaram o réu a duas décadas de reclusão.
Autorizada por Rosiane a divulgar seu nome completo, a sobrevivência dela carrega um significado de resistência e amor materno.
“Senti que a justiça foi feita. No dia do ocorrido, eu tive que lutar contra a minha própria morte naquele momento para que eu conseguisse sair com vida, pois tenho três filhas menores que dependem de mim”, desabafou Rosiane, emocionada, ao falar sobre o veredito.
A condenação de Vitor Gustavo da Silva Barroso a 20 anos em regime fechado representa não apenas a resposta rigorosa do Poder Judiciário da Comarca de Paraguaçu Paulista aos crimes de violência doméstica e de gênero, mas também a vitória de uma mulher que recusou ser mais uma estatística de feminicídio, transformando a dor da sobrevivência em busca por justiça.
