A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilos fiscal, telefônico e telemático do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, preso na semana passada por envolvimento nas supostas fraude cometidas pelo Master. Além disso, a comissão também aprovou a quebra de sigilos do operador Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que seria o operador de um grupo voltado à ameaça e coação de desafetos do banqueiro.
Os requerimentos foram aprovados em bloco pela CPI sem a análise individual de cada um. Isso inclui a convocação dos servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, do Banco Central, que teriam sido aliciados por Vorcaro para fornecer informações privilegiadas sobre a liquidação do Banco Master. Além disso, também foram convocados o policial federal aposentado Marilson Roseno, que faria parte do grupo operado por Sicário.
A CPI também aprovou a quebra dos sigilos de Sicário, que cometeu suicídio na prisão na semana passada. Além disso, a comissão aprovou a solicitação de envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a solicitação ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informações sobre a morte de Sicário.
Na mesma sessão, os senadores aprovaram um requerimento para que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, preste informações detalhadas sobre os processos administrativos que levaram ao afastamento de Souza e Santana de suas funções. A investigação da Polícia Federal descobriu que os dois servidores recebiam propina de Vorcaro para atuarem como seus consultores informais e acesso a informações que poderiam atingí-lo.
Também foram aprovados dois requerimentos para obtenção de informações detalhadas sobre a aeronave Embraer Legacy 650 de prefixo PP-NLR e sobre os passageiros que utilizaram o avião nos últimos meses. Os pedidos foram apresentados pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e solicitam o envio de dados tanto pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), como pela empresa responsável pela operação do jato, Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços Ltda.
Os requerimentos pretendem ter acesso a informações completas sobre os registros da aeronave no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), incluindo histórico de propriedade, eventuais transferências, valores envolvidos nas negociações e possíveis gravames ou ônus. Além disso, a CPI também pediu a identificação de todos os proprietários, operadores ou exploradores que tenham constado nos registros oficiais do avião ao longo de 2025 e 2026, além da lista de passageiros de voos realizados no período.
A aprovação dos requerimentos ocorreu em meio ao depoimento do fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur, que suspeita de operar investimentos para o Banco Master de forma fraudulenta e por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Mansur negou que a Reag tenha tido qualquer envolvimento com os negócios do PCC e afirmou que o Banco Master era um dos clientes da gestora, como outras instituições financeiras e empresas de mercado.
