O governo do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, mergulhou em uma crise sem precedentes nesta quinta-feira (12), quando a terceira figura de alto escalão de sua administração deixou o cargo em menos de uma semana. Este cenário intensifica dramaticamente a pressão sobre o líder trabalhista em meio a um escândalo envolvendo ligações com o financista Jeffrey Epstein e crescentes pedidos de renúncia que abalam as estruturas de Downing Street.
A Folha de Paraguaçu apurou que a mais recente baixa é Chris Wormald, secretário do gabinete e diretor do Serviço Civil. Sua saída, oficializada “por mútuo acordo” com o governo trabalhista e efetiva a partir de hoje, marca o fim do mandato mais curto de um secretário de gabinete na história britânica, pois Wormald estava no posto desde dezembro de 2024. A instabilidade na cúpula se acentua com esta decisão, que surge em meio a relatos de descontentamento do premiê com o desempenho do alto funcionário.
O Efeito Dominó: Saídas em Cascata
As recentes turbulências na administração Starmer tiveram início no último domingo (8) e segunda-feira (9). Nesses dias, Morgan McSweeney, então chefe de gabinete e principal assessor do primeiro-ministro, e Tim Allan, diretor de Comunicação, renunciaram aos seus postos, respectivamente. Allan justificou sua partida alegando a necessidade de “construir uma nova equipe em Downing Street”, a icônica rua de Londres que abriga a residência oficial do chefe de governo britânico.
O Epicentro do Escândalo: Caso Epstein
A renúncia de McSweeney, no entanto, veio à tona com um pano de fundo mais complexo e delicado. Investigamos que o ex-chefe de gabinete havia recomendado, em fevereiro de 2025, a nomeação de Peter Mandelson para o cobiçado cargo de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos. Contudo, Mandelson foi abruptamente destituído em setembro passado, após a explosiva revelação da extensão de seus vínculos com o notório financista americano Jeffrey Epstein. Epstein, como se sabe, suicidou-se na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações gravíssimas de tráfico sexual de menores, um escândalo que reverberou globalmente.
Na semana anterior, o próprio primeiro-ministro Starmer admitiu publicamente ter ciência das ligações de Mandelson com Epstein no momento da indicação para o posto diplomático em Washington. Starmer, em uma tentativa de se desvincular, alegou que seu aliado teria “mentido” sobre a “extensão” desse relacionamento controverso, mas a declaração não conseguiu conter a onda de críticas e aprofundar ainda mais a crise de confiança.
Pressão Crescente e a Resposta de Starmer
Diante da escalada das revelações e das saídas em massa, a pressão sobre Keir Starmer, que assumiu o cargo em 2024, atinge níveis críticos. Não apenas a oposição política, mas também aliados proeminentes, como Anas Sarwar, líder do Partido Trabalhista Escocês, têm exigido abertamente a renúncia do primeiro-ministro.
Apesar da turbulência, Starmer mantém-se firme na posição de que não renunciará. Ele reitera seu compromisso com a gestão, mesmo com pesquisas recentes apontando uma desaprovação crescente de seu trabalho e um cenário político que se mostra cada vez mais volátil e imprevisível para o governo trabalhista. A credibilidade de sua administração, e o futuro de sua liderança, estão intensamente em jogo em meio a esta convulsão política que reconfigura o panorama britânico. A Folha de Paraguaçu segue acompanhando cada desdobramento.
