Crise na Venezuela: Delcy Rodríguez afasta aliados de Maduro

Uma manobra estratégica para mudar o cenário político

Delcy Rodríguez, atual sucessora de Nicolás Maduro, iniciou uma ofensiva interna para reformular a cúpula do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela. O objetivo central deste movimento é realizar uma “limpeza” de aliados históricos do ditador, buscando contornar as pressões internacionais e abrir caminho para uma nova era de diálogo com o governo de Donald Trump.

Recentemente, o tribunal aprovou a aposentadoria forçada de oito magistrados que ocupavam posições estratégicas. Entre os nomes removidos, destacam-se figuras de confiança de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram fundamentais para a manutenção do regime nos últimos anos.

O fim da linha para aliados de peso

Na lista de afastamentos, dois nomes chamam a atenção pela influência e pelo histórico de polêmicas: Maikel Moreno e Elsa Gómez. Moreno, que presidiu o Supremo entre 2017 e 2022, é um dos alvos prioritários de sanções internacionais. Ele é investigado por envolvimento em redes de narcotráfico e erosão democrática, acumulando recompensas milionárias oferecidas por autoridades americanas por informações sobre seu paradeiro.

Já Elsa Gómez é apontada como um braço do regime na perseguição sistemática à oposição. Com vínculos familiares diretos com o clã de Maduro, sua saída é interpretada como uma tentativa de limpar a imagem do judiciário venezuelano perante observadores externos.

Assembleia Nacional sob pressão

A condução do processo de renovação da corte está nas mãos da Assembleia Nacional, presidida por Jorge Rodríguez, irmão da sucessora de Maduro. Essa centralização de poder levanta dúvidas sobre a verdadeira independência das novas nomeações. Enquanto a liderança chavista promete um processo “rigoroso” para fortalecer as instituições, críticos observam cautelosamente se essas mudanças representam, de fato, uma abertura democrática ou apenas uma estratégia de sobrevivência política.

Nos próximos dias, a expectativa é que os nomes dos novos magistrados sejam anunciados. A comunidade internacional aguarda para ver se esse ajuste no judiciário venezuelano será suficiente para aliviar a pressão total exercida por Washington, que exige reformas profundas para reavaliar as sanções impostas ao país.

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