Cuba Mergulha em Apagão Histórico: Crise Energética Atinge 62% do País

Cuba enfrenta nesta quarta-feira, 21 de outubro, um cenário energético crítico, com a previsão de um apagão generalizado que pode imergir até 62% do território nacional na escuridão simultaneamente durante os picos de demanda. A situação, que repete o pior índice já registrado na ilha, revela a profunda crise que assola o país, resultado de uma gestão deficiente, escassez de recursos e infraestrutura precária.

Nossas análises indicam que a capacidade de geração de energia para os períodos de maior consumo, tarde e noite, é de aproximadamente 1.260 megawatts (MW). Contudo, a demanda máxima esperada alcança 3.230 MW, criando um déficit alarmante próximo de 2.000 MW. Este desequilíbrio expõe a vulnerabilidade do sistema elétrico cubano, evidenciando um desafio logístico e estrutural sem precedentes.

As Raízes da Crise: Má Gestão e Infraestrutura Obsoleta

A crise energética em Cuba não é recente, estendendo-se desde meados de 2024. A falta de investimento e a gestão inadequada do regime contribuem diretamente para o cenário. A escassez de divisas impede a compra de petróleo essencial, enquanto as usinas termoelétricas, muitas operando há décadas sem modernização adequada, sofrem avarias constantes, exacerbando o problema de forma crônica.

Fábricas Paradas e a Falta de Insumos Essenciais

Atualmente, oito das dezesseis unidades termoelétricas do país estão inoperantes, seja por falhas técnicas, seja por necessidade de manutenção urgente. A situação é agravada pela paralisação de 101 centrais de geração distribuída movidas a diesel, as quais permanecem paradas por falta de combustível. Além disso, duas usinas flutuantes alugadas também estão fora de serviço, e outros motores importantes permanecem inoperantes devido à ausência de lubrificantes, elementos cruciais para a operação contínua do sistema.

Pressões Externas: Venezuela e Sanções dos EUA

A complexidade da crise se intensifica com a interrupção no fornecimento de petróleo venezuelano. A queda do ex-ditador Nicolás Maduro em janeiro impactou significativamente o fluxo para a ilha, eliminando uma das principais fontes de abastecimento do sistema elétrico cubano, que se tornou um ponto nevrálgico para o país. Este corte representa um golpe severo à já fragilizada matriz energética.

Por outro lado, o regime cubano atribui o colapso energético às sanções impostas pelos Estados Unidos. Segundo Havana, essas medidas provocam uma “asfixia energética”, dificultando a aquisição de recursos e equipamentos vitais para a manutenção e modernização da infraestrutura. A perspectiva oficial cubana insiste que o embargo é o principal motor da escassez.

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