Direita Brasileira Exige Anistia para Bolsonaro e Combate à Corrupção

Neste domingo (1), várias cidades brasileiras foram palco de manifestações convocadas pela direita, com a finalidade de pressionar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A concentração de multidões em Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Salvador, foi um dos principais cartões postais dos atos, que visavam demonstrar o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na capital federal, a multidão se reuniu em frente ao Museu da República, onde um carro de som foi utilizado para transmitir as mensagens dos organizadores. Entre os presentes estavam os senadores Izalci Lucas e Rogerio Marinho, e a deputada federal Bia Kicis. A avenida Paulista, em São Paulo, foi outro local de grande concentração de pessoas, que se reuniram para ouvir as palavras do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e de outros líderes da direita.

O boneco do Pixuleco de Lula, vestido de presidiário e com a inscrição “Falem por mim!” na boca, foi uma das imagens marcantes dos atos. A tradição de utilizar esse boneco remonta às manifestações que pediam o impeachment de Dilma Rousseff, e agora foi utilizado para simbolizar a censura ao ex-presidente Bolsonaro. A multidão vestiu as cores verde e amarelo da bandeira e pediu liberdade para Bolsonaro.

Em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira reuniu uma multidão na Praça da Liberdade, no centro da cidade, e encontrou o governador mineiro Romeu Zema (Novo), cotado para integrar a chapa da direita com Flávio Bolsonaro. Em um tom descontraído, Ferreira escreveu em caneta vermelha o lema “Acorda, Brasil” em uma camiseta branca do governador.

As bandeiras dos atos vão desde pautas como o pedido de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, como também críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, como em todas as manifestações da direita, aparece também a defesa do combate à corrupção e ao aumento de impostos.

A defesa de um tom mais duro contra o STF não é consensual dentro do campo da direita, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem adotado postura mais moderada, buscando ampliar o diálogo com setores do centro. A mobilização do dia 1º de março ocorre em um ambiente já marcado por movimentações pré-eleitorais e pela reorganização de lideranças no campo conservador.

A expectativa entre os organizadores é de que o ato seja também uma vitrine para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro na direita. O senador intensificou, nas últimas semanas, as articulações para consolidar seus palanques em todo o país. Para o cientista político Gustavo Macedo, professor do Insper, o ato deve funcionar como um teste de narrativa. “Já vivemos um clima de campanha permanente, e essas mobilizações ajudam a testar quais pautas colam junto ao eleitorado, se é Bolsonaro, anistia ou crítica ao STF”, avaliou.

Sair da versão mobile