A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alerta que aproximadamente 40% das doenças que afetam a população nas Américas poderiam ser evitadas. O dado revela a urgência de mudanças profundas tanto em políticas públicas de saúde quanto nos hábitos cotidianos da população para frear o avanço de patologias crônicas e evitáveis em todo o continente.
O impacto das doenças não transmissíveis
Um dos pontos centrais da análise recai sobre as Doenças Não Transmissíveis (DNTs). Condições como diabetes, hipertensão e obesidade têm avançado de forma alarmante, impulsionadas por fatores de risco modificáveis. A má alimentação, o sedentarismo e o consumo excessivo de tabaco e álcool são apontados como os principais gatilhos para esse cenário.
Essas patologias não apenas reduzem a expectativa e a qualidade de vida dos indivíduos, mas também sobrecarregam os sistemas de saúde, que muitas vezes focam no tratamento de crises agudas em vez de investir na manutenção do bem-estar a longo prazo.
Determinantes sociais e o papel do Estado
No entanto, a prevenção não depende exclusivamente de escolhas individuais. A investigação aponta que os determinantes sociais de saúde desempenham um papel crucial. A falta de saneamento básico, a insegurança alimentar e a poluição ambiental são barreiras que impedem que milhões de pessoas tenham acesso a uma vida saudável.
Para reverter esse quadro, é indispensável a implementação de políticas públicas transversais. Isso inclui a regulação de produtos ultraprocessados, a criação de espaços urbanos que incentivem a atividade física e a garantia de acesso universal a água potável e esgoto tratado.
A primazia da Atenção Primária
O caminho para a redução desses índices passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS). Quando o sistema de saúde consegue atuar na base, realizando diagnósticos precoces e acompanhando o paciente preventivamente, a necessidade de hospitalizações complexas e onerosas diminui drasticamente.
Investir em equipes multidisciplinares que atuem dentro das comunidades é a estratégia mais eficaz para transformar a realidade sanitária das Américas, transformando o modelo de “cura” em um modelo de “cuidado
