El Salvador passou por uma transformação profunda e controversa nos últimos anos, deixando de ser a chamada “capital mundial do assassinato” para se tornar um dos países mais seguros de todo o continente americano em 2026. A estratégia agressiva liderada pelo presidente Nayib Bukele, baseada em um combate implacável às gangues e na reestruturação do Poder Judiciário, colocou a nação no centro de um debate global sobre segurança pública e limites democráticos.
A Queda Histórica na Violência
Os números refletem uma mudança drástica na realidade cotidiana dos salvadorenhos. Em 2015, o país registrava taxas de homicídios que ultrapassavam 100 mortes por 100 mil habitantes. Já em 2025, esse índice despencou para 1,3 por 100 mil. A principal ferramenta desse processo foi o regime de estado de exceção, em vigor desde março de 2022 e renovado dezenas de vezes.
Mais de 90 mil suspeitos de integrarem facções criminosas, como a MS-13 e a Barrio 18, foram detidos, muitos deles encaminhados ao Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), um presídio de segurança máxima que se tornou o maior símbolo visual da política de “mão dura” do atual governo.
Reforma Judicial e Críticas Internacionais
Para viabilizar essas ações, o governo Bukele, com amplo apoio legislativo, realizou uma limpeza profunda nos tribunais. Magistrados da Suprema Corte foram destituídos e leis foram alteradas para aposentar compulsoriamente juízes com mais de 60 anos ou décadas de serviço. O argumento oficial foi a necessidade de remover elementos corruptos ou lenientes com o crime organizado.
Contudo, essa centralização de poder atrai severas críticas. Organizações internacionais de direitos humanos apontam para a captura do Judiciário, a suspensão de garantias constitucionais e o registro de prisões arbitrárias, além de denúncias de tortura e mortes sob custódia estatal.
Turismo e o “Modelo Bukele”
Além da segurança, o governo tem apostado em obras de infraestrutura para alavancar a economia. Projetos como o “Surf City”, focado na revitalização da costa do Pacífico, contribuíram para que o país alcançasse a marca recorde de 4,1 milhões de turistas internacionais em 2025. Esse cenário de “ordem e progresso” mantém a popularidade de Bukele em patamares altíssimos, variando entre 87% e 94% de aprovação interna.
O “modelo El Salvador” prova que medidas centralizadas podem reduzir a criminalidade com celeridade, mas deixa um legado de questionamentos sobre a sustentabilidade institucional. A grande interrogação para o futuro da região é saber se o custo de abrir mão de pilares democráticos compensa, na prática, a sensação de segurança conquistada pela população.
