O candidato da direita nacionalista Abelardo de la Espriella e o senador de esquerda Iván Cepeda conquistaram as maiores votações no primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia, realizado no último domingo (31), e decidirão o futuro político do país em um acirrado segundo turno marcado para o dia 21 de junho. A histórica disputa definirá quem comandará a influente nação sul-americana até o ano de 2030, em um cenário de profunda polarização ideológica e debates intensos sobre economia e segurança.
O “Milei colombiano” e a plataforma conservadora
Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos, lidera o movimento Defensores da Pátria. Ele é amplamente comparado ao presidente argentino Javier Milei por sua defesa intransigente da liberdade econômica e pelo corte severo de gastos públicos, chegando a adotar o tigre como símbolo de sua campanha.
Suas pautas incluem a restrição ao aborto e ações de “mão de ferro” contra o crime organizado, o que remete ao estilo do salvadorenho Nayib Bukele. No entanto, Espriella gera debates ao propor a legalização de 10% do capital ilícito do narcotráfico para reinserção na economia colombiana, além de enfrentar críticas por sua atuação jurídica na defesa de nomes controversos.
Iván Cepeda e o projeto de continuidade da esquerda
No lado oposto da cédula, o senador Iván Cepeda, de 63 anos, representa a sustentação política do atual presidente Gustavo Petro. Filho do ex-senador assassinado Manuel Cepeda, o candidato possui uma longa trajetória focada no ativismo de direitos humanos, na docência acadêmica e na militância partidária de esquerda desde a juventude.
Cepeda foi um dos principais articuladores do histórico acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016. Essa atuação, no entanto, o colocou em confronto constante com o ex-presidente Álvaro Uribe. Uribe acusa o senador de ligações com grupos guerrilheiros, alegações que Cepeda refuta categoricamente, prometendo acionar a Justiça para defender sua honra.
O impacto da decisão para o continente
Com propostas radicalmente opostas para os rumos econômicos e a segurança pública colombiana, os candidatos agora entram em uma fase crucial de campanha. A busca pelo voto dos eleitores moderados e indecisos ditará o ritmo dos debates até o dia da votação final.
O desfecho desta acirrada corrida presidencial no dia 21 de junho não apenas redesenhará o cenário interno da Colômbia, mas também influenciará diretamente o equilíbrio de forças geopolíticas em toda a América do Sul nos próximos anos.
