Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), apresentou uma estratégia política ambiciosa no Nordeste, tradicional reduto eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT). Durante sua primeira agenda pré-eleitoral na região, no final de semana passado, o senador visitou Natal (RN) e João Pessoa (PB), onde reforçou a centralidade da segurança pública como eixo de diferenciação em relação ao governo petista.
Em discurso a apoiadores, Flávio Bolsonaro destacou a importância de escolher um caminho para o Brasil nos próximos 50 anos, contrapondo o que chamou de “caminho da prosperidade” ao de um governo que “sola marginal da cadeia”. O pré-candidato do PL adotou um discurso mais duro contra o crime organizado e a criminalidade em geral, defendendo o endurecimento das leis penais e a prisão prolongada para lideranças criminosas.
Flávio também direcionou parte relevante da fala ao eleitorado feminino, explorando a pauta da violência contra a mulher. O senador afirmou que um eventual governo alinhado ao seu campo político buscaria prender agressores com mais rapidez e endurecer punições. “Vocês querem um governo que se preocupe de verdade com as mulheres? Que trabalhe para colocar agressor de mulher no mesmo dia preso?”, questionou.
Além disso, o parlamentar buscou dialogar com pautas econômicas e do cotidiano, como emprego e custo de vida, ao defender redução de impostos e menos burocracia para pequenos empreendedores. “Vocês querem um governo que vai reduzir imposto, que vai facilitar a vida de quem quer trabalhar?”, disse.
A estratégia de Flávio Bolsonaro visa reduzir a vantagem petista no Nordeste, onde Lula conquistou 69,34% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, contra 30,66% de Jair Bolsonaro (PL). Para o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a movimentação de Flávio Bolsonaro segue na esteira do desgaste do lulopetismo no Nordeste, tradicional reduto eleitoral do partido.
“A tradicional hegemonia do Partido dos Trabalhadores nessa região… começa a fraquejar, começa a dar sinais de arrefecimento”, afirma o professor. Fatores como frustração com políticas públicas, aumento do custo de vida e escândalos recentes contribuem para esse cenário. “A imagem do lulopetismo fica desgastada”, afirma.
A movimentação de Flávio Bolsonaro na região segue uma estratégia já testada nas eleições anteriores: reduzir a diferença de votos de Lula no Nordeste, ainda que sem necessariamente vencer. “O Flávio Bolsonaro continua a estratégia do pai dele… de tentar diminuir a diferença de Lula sobre ele”, afirma o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec de Belo Horizonte.
O cenário atual pode favorecer essa tentativa, especialmente por conta de uma mudança na percepção do eleitor nordestino. “Eles lembraram do Lula de até 2010 e imaginaram que ele faria aquilo de novo, só que as condições para isso não foram dadas”, diz o professor.
Segundo uma fonte da cúpula do PL, a expectativa é de que a campanha de Flávio Bolsonaro possa ter um melhor desempenho no Nordeste com palanques mais consistentes em relação ao pleito de 2022, contando com aliados de outros partidos e filiando políticos de peso na região.
Para a disputa pelo governo da Paraíba, por exemplo, o PL filiou o senador Efraim Filho (PB) e contará com o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga na chapa ao Senado Federal. Além disso, o partido também avalia que a presença do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara dos Deputados, contribua para a campanha.
No Rio Grande do Norte, estado natal do senador Rogério Marinho (PL), coordenador nacional da campanha de Flávio, o PL filiou o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias para a disputa ao governo estadual e terá o ex-prefeito de São Tomé e ex-presidente da Federação dos Municípios (Femurn), Babá Pereira (PL), como vice.
Para o Senado, a composição inclui o senador Styvenson Valentim (PSDB) e o militar Coronel Hélio (PL).
Para o cientista político Paulo Kramer, o discurso de Flávio Bolsonaro na região encontra respaldo em críticas mais amplas à condução das políticas de segurança nos governos alinhados ao PT no Nordeste. Segundo ele, há uma visão permissiva em relação à criminalidade que contribui para o agravamento da insegurança.
