Ministro Gilmar Mendes é Acusado de Proteger Colega no STF

O ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) foi acusado pelo relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira, de proteger seu colega ministro, Dias Toffoli, de investigação. A crítica veio após a decisão do ministro de anular a quebra de sigilo do fundo de investimentos Arleen, de propriedade do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro preso Daniel Vorcaro.

Alessandro Vieira afirmou que a decisão de Gilmar Mendes não foi nenhuma surpresa para ele e que havia alertado no plenário do Senado, na véspera, para uma “ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos”. O relator da comissão também disse que apresentará recursos contra a decisão e, até mesmo, para a instalação de uma CPI específica para investigar ministros “supostamente envolvidos no escândalo”.

A investigação aponta que dois irmãos de Toffoli, José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, detinham cotas do resort Tayayá, na cidade paranaense de Ribeirão Claro, e que o ministro era tratado como real proprietário do empreendimento. A empresa da família, a Maridt Participações, teria negociado uma fatia do negócio com o fundo Arleen, ligado ao Banco Master, em 2021, e a alienação do restante à PHD Holding em fevereiro de 2025.

Alessandro Vieira citou que a decisão de Gilmar Mendes é apenas mais um exemplo da “ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos”. O relator da comissão também disse que o abuso constante está destruindo a credibilidade da Justiça e que apresentará recursos contra a decisão.

A investigação do Banco Master, que envolve crimes financeiros, também aponta que o resort Tayayá teve participação de fundos de investimentos ligados ao Banco Master. O empreendimento passou a ter novo controlador no fim de 2025, quando foi assumido por Paulo Humberto Barbosa, advogado goiano que atua para a JBS, processadora de alimentos da J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Dias Toffoli passou a figurar como centro das atenções e ligação com o resort após puxar para seu gabinete toda a investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master, impondo um sigilo rigoroso nos autos. Há a suspeita de conflito de interesses, já que ele viajou para Lima, no Peru, no ano passado, a convite de um empresário e na companhia de um advogado que defende um dos alvos da autoridade.

Sair da versão mobile