O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está organizando a edição mais ambiciosa do Fórum de Lisboa, em Portugal, para junho de 2026. O evento, conhecido como “Gilmarpalooza”, ocorrerá sob forte pressão pública após revelações de que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, financiou viagens de autoridades brasileiras para agendas paralelas no exterior.
O Fórum de Lisboa é um encontro jurídico e político anual que atrai centenas de magistrados, políticos e empresários. O nome “Gilmarpalooza” é uma brincadeira com o festival Lollapalooza, mas também reflete a magnitude do evento. Para o ministro Gilmar Mendes, o objetivo é consolidar o fórum como o principal ponto de encontro entre os chefes do Judiciário brasileiro, integrantes do Governo e representantes do setor privado.
No entanto, as investigações da Polícia Federal apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou despesas de luxo de autoridades brasileiras no exterior, incluindo passagens, hotéis e festas em locais como Londres e Lisboa. Essas viagens ocorreram em agendas paralelas ao fórum oficial, levantando suspeitas sobre a proximidade entre quem julga e quem é dono de grandes instituições financeiras.
Especialistas criticam essas viagens internacionais por criar um conflito de interesses e falta de transparência. Embora participar de palestras acadêmicas seja legal, a mistura com jantares e festas financiados por empresários cria um problema de imagem. A percepção do público é de que essas relações podem influenciar decisões judiciais futuras, especialmente quando os patrocinadores têm processos tramitando nos tribunais superiores.
O ministro Gilmar Mendes trata as críticas com ironia e defende a importância institucional do encontro. Para ele, o fórum é um caso de sucesso e a discussão sobre temas globais, como tecnologia e soberania, é necessária. Mendes afirma que reunir diferentes atores da sociedade, inclusive do mercado financeiro, ajuda a qualificar o debate sobre os desafios modernos do Direito e da política internacional.
Diante da pressão e do descrédito institucional, o presidente do STF, Edson Fachin, espera aprovar um novo código de ética para os ministros ainda em 2026. O texto, que está sendo preparado pela ministra Cármen Lúcia, pretende definir limites claros sobre a participação de magistrados em eventos sociais e as relações com o setor privado. No entanto, o tema ainda enfrenta resistência interna por causa do clima de tensão política no país.
