Em uma última tentativa de influenciar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou ao magistrado um laudo médico elaborado por Cláudio Birolini, assistente técnico da defesa. O documento, que tem 168 páginas, inclui exames realizados dentro do âmbito da perícia e lista dez problemas de saúde atribuídos a Bolsonaro.
A defesa de Bolsonaro argumenta que não é possível esperar pela ocorrência de um evento irreversível para reconhecer a inadequação do ambiente de custódia. Com base nessa afirmativa, os advogados pedem novamente a Moraes que conceda prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente. “Não se pode exigir, à luz da Constituição e da jurisprudência consolidada desta Corte, que o Estado aguarde a ocorrência de evento irreversível para somente então reconhecer a inadequação do ambiente de custódia”, diz o documento.
Diferentemente do que foi apontado pela Polícia Federal (PF), o laudo de Birolini destaca o risco de agravamento do quadro de saúde de Bolsonaro caso ele não receba o tratamento adequado. Entre os problemas de saúde atribuídos ao ex-presidente estão hipertensão, oclusão e estenose de carótidas, doença aterosclerótica do coração, refluxo gastroesofágico, câncer de pele, pneumonia bacteriana, apneia do sono, hérnia inguinal unilateral, soluços e anemia.
Além disso, o laudo aponta para a facada sofrida por Bolsonaro em 2018 como causadora de sequelas como atrofia muscular do abdômen e hérnias, além de danos e transtornos psicológicos secundários ao evento traumático. Com as conclusões, Birolini recomenda que Bolsonaro receba monitoramento contínuo da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, tenha acesso a exames e disponha de infraestrutura adequada para a administração de medicamentos e realização de consultas e avaliações médicas regulares, inclusive em caráter de emergência.
Outro documento juntado é o laudo elaborado pelo fisioterapeuta de Bolsonaro, que ressalta a importância da fisioterapia no tratamento do ex-presidente. “Diante de um histórico de nove cirurgias, a fisioterapia não é opcional; é o alicerce da sobrevivência do paciente”, afirma o profissional. Com esses argumentos, a defesa de Bolsonaro busca influenciar a decisão de Moraes e garantir a prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente.
