No dia 7 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou sua visão de alianças políticas para além da esquerda durante a comemoração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador. Com a intenção de se reeleger, Lula manifestou sua preocupação com as disputas internas dentro da legenda, destacando a necessidade de construir alianças para garantir uma vitória nas eleições.
“Não podemos prescindir de acordos políticos nos estados. Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados”, disse Lula, reforçando a importância de trabalhar em equipe para alcançar os objetivos políticos.
O presidente também se manifestou contra a adoção das chamadas emendas impositivas no Congresso, classificando o volume desses recursos como um “sequestro” do Orçamento do Executivo por parlamentares. “Vocês têm obrigação de não deixar que partido vá para a vala comum da política desse país”, afirmou, reforçando a necessidade de a legenda se manter forte e independente.
Lula ressaltou ainda que o PT precisa se fortalecer socialmente e ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado. “É o partido que tem que ser forte, não é o Lula. O Lula é uma pessoa física, vocês são uma pessoa jurídica que não pode acabar”, disse, enfatizando a importância de a legenda se manter viva e dinâmica.
O presidente também criticou a falta de presença do PT nas periferias e a dificuldade em se aproximar do público evangélico, lembrando que muitos desses eleitores recebem benefícios do governo federal. Em tom mais combativo, Lula disse que a eleição será dura, mas afirmou estar confiante. “A eleição vai ser uma guerra e temos que estar preparados para ela para ganhar em alto nível. Saibam que estou motivado para cacete porque o que está em jogo não é só ganhar as eleições, precisamos pensar em um outro projeto para esse país, para despertar os corações”, declarou.
O evento em Salvador funcionou como um pontapé inicial da campanha para outubro, com Lula buscando mobilizar a militância e indicar as linhas gerais da estratégia eleitoral. A comemoração também marcou a divulgação de uma resolução do Diretório Nacional do PT, que concentrou críticas diretas à política monetária e à autonomia do Banco Central (BC). O documento afirma que os juros permanecem em patamar “restritivo” e incompatível com o desenvolvimento do país e sustenta que a independência formal da autoridade monetária teria se convertido em um obstáculo ao crescimento econômico e ao investimento produtivo.
A resolução também dedica espaço à política externa e manifesta apoio à Venezuela e a Cuba, ao condenar o que classifica como tentativas de interferência estrangeira nos dois países. Segundo o texto, pressões externas na América Latina remetem a períodos históricos considerados prejudiciais à soberania regional, e o Brasil deveria manter uma diplomacia voltada ao multilateralismo e ao diálogo entre nações.
