A ascensão social de uma família negra, marcada pela dor e pelo trauma, é o tema central da obra “Meridiana”, romance recém-lançado pela Cia das Letras. A escritora, jornalista e roteirista Eliana Alves Cruz, conhecida por suas crônicas sobre a realidade negra, busca abordar pontos sensíveis que afetam a população negra e pobre, vítimas da desigualdade social.
A história é uma trama engenhosa que acompanha a luta de uma mãe, um pai e seus filhos por mudanças sociais significativas. Cada geração enfrenta seus próprios desafios, mas todos compartilham a determinação de superar a injustiça. Meridiana é um testemunho de que, apesar das adversidades, existe um caminho para a ascensão social. A autora confessa que se inspirou em seu próprio livro anterior, “Solitária”, que lançou em 2022, além de observações sobre a vida das pessoas negras que ascendem socialmente.
Eliana Alves Cruz destaca a falta de representação da ascensão social das pessoas negras na literatura e outras formas de arte. “É um lugar e um movimento que é pouco retratado”, afirma. “Acho que no audiovisual ainda não teve o espaço suficiente para tratar isso em profundidade e na literatura também não por conta de uma chegada massiva de escritores negros muito recentemente.” A escritora acredita que, através de sua obra, pode contribuir para preencher essa lacuna.
A narrativa de Meridiana é em primeira pessoa, o que permite uma conexão íntima e verácia com o leitor. A escolha do formato foi estratégica: “O livro é narrado em primeira pessoa porque há uma necessidade de intimidade e veracidade. Eu testei vários formatos, mas percebi que cada personagem ali precisava ter uma voz própria, precisava falar com uma voz própria.” A autora quis capturar a diversidade das vozes da trama, permitindo que cada personagem se expressasse de forma única.
Eliana Alves Cruz é vencedora do Prêmio Jabuti 2022 e semifinalista do Prêmio Oceanos, entre outras conquistas. Sobre a recepção ao livro recém-lançado, a autora conta: “Tem sido uma recepção incrível. As pessoas entenderam a proposta, estão muito reflexivas sobre cada uma daquelas pessoas, se identificando muito com umas, reconhecendo pessoas conhecidas em outras.” A escritora é conhecida por seus trabalhos anteriores, como “Solitária”, “Água de Barrela”, “Nada Digo de Ti” e “O Crime do Cais do Valongo”, além de contos e publicações infantis.
