Polícia Federal revela conversas de banqueiro sobre empreendimento Tayayá

O conteúdo de mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro revela uma situação delicada envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o empreendimento Tayayá. As conversas, datadas de maio e agosto de 2024, foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e fazem parte de um relatório encaminhado à corte.

De acordo com as mensagens, Vorcaro questionou seu cunhado, Fabiano Zettel, sobre a realização de um aporte relacionado ao empreendimento Tayayá. Zettel, que atuava como operador financeiro do banqueiro, respondeu que havia solicitado a Vorcaro se o aporte pudesse ser concluído na semana seguinte, mas o banqueiro não havia respondido. Em seguida, Zettel apresentou uma lista de pagamentos para Vorcaro aprovar, incluindo uma linha para o repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu que os pagamentos deveriam ser feitos naquele mesmo dia.

Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro voltou a cobrar a conclusão de valores relacionados ao empreendimento, mas sem mencionar quem estaria fazendo a cobrança. Zettel respondeu que os recursos já haviam sido encaminhados a um intermediário responsável por efetivar o aporte final, que dependeria dessa etapa para ser concluído. A demora irritou Vorcaro, que perguntou ao cunhado onde estava a quantia. Zettel respondeu que estava no fundo dono do Tayayá e que iria transferir as cotas dele.

Os trechos das mensagens de Vorcaro e Zettel divulgados pelo Estadão fazem parte do relatório da PF apresentado ao STF e compartilhado com os demais ministros da corte e com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Após a entrega do relatório ao STF, Toffoli deixou voluntariamente a relatoria do caso Master no STF.

Toffoli é sócio da empresa Maridt, que mantinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. Conforme já divulgado, a empresa vendeu sua participação a fundos de investimento que tinham Zettel como acionista. As operações societárias ocorreram antes de a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB ser distribuída ao gabinete do ministro.

Em nota divulgada após a apresentação do relatório da PF ao STF, Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar regularmente constituída e que todas as operações foram declaradas à Receita Federal. Toffoli reconheceu ter recebido dividendos da empresa, mas negou ter recebido qualquer valor de Vorcaro ou de Zettel. Também declarou não manter relação de amizade com o banqueiro. “Jamais recebi qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, diz na nota.

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