Uma operação deflagrada pela Polícia Civil colocou o prefeito de Tupã (SP), Renan Victor Pontelli (PSDB), no centro de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em seis endereços ligados ao chefe do Executivo municipal, aprofundando as apurações de um inquérito complexo que também possui ramificações com o tráfico de drogas na região.
O que motivou a operação policial em Tupã?
A ofensiva, realizada na última sexta-feira (16), busca rastrear possíveis ligações financeiras ilícitas e coletar provas documentais. Entre os locais vistoriados rigorosamente pelas autoridades de segurança estão a residência oficial do prefeito e a sede administrativa de sua empresa particular, a Reprise Formaturas.
O alvo principal deste inquérito criminal é Maurivan Giglio de Lima, um indivíduo que se encontra detido preventivamente desde o ano de 2024 sob a acusação direta de tráfico de entorpecentes.
Qual a relação entre a empresa do prefeito e o investigado?
O cerne das suspeitas recai sobre movimentações financeiras detectadas pelos investigadores. Documentos que integram os autos apontam que a Reprise Formaturas teria realizado diversas transferências bancárias, através do sistema Pix, direto para as contas de Maurivan durante o decorrer de 2023. Essa trilha financeira levou as autoridades a solicitarem diligências urgentes para esclarecer a real natureza dessas transações e sua eventual ligação com o capital oriundo do tráfico.
Como a defesa de Renan Pontelli justifica os repasses?
Diante das diligências de busca e apreensão, a assessoria do chefe do Executivo manifestou-se para esclarecer o contexto empresarial das transações. De acordo com a nota oficial emitida pela defesa de Renan Pontelli, os pagamentos efetuados em 2023 possuem uma justificativa estritamente profissional e documentada.
A defesa argumenta que o suspeito detido atuava, à época dos fatos, como um intermediário comercial autônomo. Sua função seria fazer a ponte entre a Reprise Formaturas e potenciais clientes. Sendo assim, as transferências via Pix seriam referentes exclusivamente a comissões e serviços prestados, totalmente desvinculadas de qualquer atividade ilícita ou lavagem de capitais.
Apreensões, Segredo de Justiça e os Próximos Passos
A operação foi minuciosamente autorizada pelo juiz Fábio José Vasconcelos, magistrado da 2ª Vara Criminal do Foro de Tupã, logo após um parecer favorável do Ministério Público estadual. A ordem judicial determinou expressamente que todas as abordagens ocorressem de maneira simultânea e sob absoluto sigilo, visando a preservação das evidências.
Durante a execução dos mandados, os agentes chegaram a apreender o aparelho celular pessoal do prefeito para extração de dados e uma averiguação preliminar. O dispositivo de comunicação, no entanto, foi devolvido ao político cerca de duas horas após o término das inspeções periciais.
Atualmente, o caso tramita sob rigoroso segredo de Justiça. Devido ao foro por prerrogativa de função — dispositivo legal conferido a ocupantes de cargos majoritários —, os autos do processo já foram remetidos e agora seguem sob a análise do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP). A defesa do investigado por tráfico ainda não se pronunciou sobre o envolvimento de seu cliente com as referidas movimentações empresariais.
