O Papa Leão XIV fez uma contundente defesa da dignidade da vida humana no Vaticano, nesta segunda-feira, ao alertar médicos e cientistas sobre os perigos de uma medicina guiada por algoritmos que decidem sobre o futuro de embriões e idosos. O pontífice condenou veementemente a subordinação da saúde a critérios meramente técnicos e utilitaristas durante uma audiência especial com membros da Fundação Jérôme Lejeune.
A Medicina Nunca Deve Servir à Morte Programada
Para o líder da Igreja Católica, a tecnologia jamais deve substituir o discernimento ético da medicina tradicional. Ele enfatizou que nenhum profissional de saúde pode delegar decisões vitais a cálculos laboratoriais automatizados. “A medicina nunca deve se tornar serva da morte programada”, declarou o pontífice, aplaudido calorosamente pelos presentes.
A audiência especial também celebrou o centenário do nascimento de Jérôme Lejeune, lendário cientista francês considerado o pai da genética moderna. Em 1958, Lejeune descobriu a causa da trissomia 21, condição conhecida como síndrome de Down. O Papa recordou que, apesar da grandeza da descoberta científica, ela acabou sendo desvirtuada para descartar fetos com a síndrome, prática que o geneticista sempre rejeitou.
O Legado Contra o Racismo Cromossômico
O pontífice exaltou o legado de Lejeune, que enfrentou boicotes no meio acadêmico para proteger os mais vulneráveis do planeta. Ele definiu a eliminação sistemática de fetos com trissomia 21 como um grave “racismo cromossômico”. A postura ética e heroica de Lejeune o levou a ser declarado venerável pela Igreja Católica, um passo fundamental em seu processo de beatificação.
A Fundação Jérôme Lejeune, criada em 1995, segue ativa mundialmente com investimentos anuais de até 5,7 milhões de dólares em pesquisas genéticas. A instituição mantém um imenso biobanco em Paris e centros médicos especializados na Europa e na América do Sul, garantindo suporte científico e humanitário para milhares de famílias.
Ao encerrar a solenidade, o Santo Padre reiterou que o valor de um ser humano não se mede por sua produtividade ou capacidades intelectuais. Ele abençoou as famílias e os pacientes com síndrome de Down presentes no encontro, conclamando a sociedade global a persistir na busca constante pelo bem comum e pela preservação da vida desde a sua concepção.
