Peru define 2º turno: Keiko Fujimori enfrenta Roberto Sánchez

A disputa pela presidência do Peru será decidida no segundo turno, agendado para o dia 7 de junho, em um confronto direto entre a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez. O anúncio oficial dos finalistas ocorreu após um longo período de incertezas, marcado por irregularidades no sistema eleitoral, a prisão de membros da autoridade eleitoral e uma recontagem minuciosa de atas, além de uma auditoria técnica ordenada pela Justiça peruana.

Um cenário de polarização

O país vive um momento decisivo, buscando seu novo líder para suceder o presidente interino José María Balcázar. Keiko Fujimori, aos 50 anos, chega à sua quarta tentativa de ocupar o Palácio do Governo. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, a candidata traz consigo um histórico de alternância entre o protagonismo parlamentar e turbulências jurídicas, incluindo um período de prisão preventiva entre 2018 e 2020, em um processo posteriormente arquivado.

Em sua campanha, Keiko aposta em uma plataforma de segurança pública rigorosa. “É meu compromisso restaurar a ordem no Peru”, declarou, prometendo medidas firmes contra o crime organizado e a deportação de imigrantes em situação irregular, consolidando sua imagem como a face da direita conservadora no pleito.

Sánchez e a sombra de Castillo

Do lado oposto, Roberto Sánchez, de 57 anos, tenta capitalizar o eleitorado de esquerda. Ex-ministro do Comércio Exterior durante o governo de Pedro Castillo — destituído e condenado por tentativa de golpe de Estado —, o candidato carrega o peso de polêmicas sucessivas. Sánchez enfrenta acusações que vão desde o suposto uso indevido de verbas ministeriais para gastos pessoais até denúncias de participação em esquemas para silenciar delatores.

Apesar de tentar se distanciar publicamente dos atos que levaram Castillo à prisão, Sánchez mantém uma postura de lealdade ao antigo mandatário. Logo no primeiro dia após o primeiro turno, visitou o ex-presidente na prisão de Barbadillo, reafirmando a intenção de libertá-lo caso saia vitorioso das urnas em junho.

O Ministério Público peruano continua investigando Sánchez por suposta omissão de informações sobre doações de campanha e participação em atos de corrupção. Enquanto o país aguarda o desfecho nas urnas, o cenário político permanece tenso, com ambos os candidatos sob a vigilância rigorosa da Justiça e de uma população dividida entre visões de mundo radicalmente distintas.

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