Materiais Escolares: Reaproveitamento e Intenção de Compra em Famílias Brasileiras

De acordo com uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva, em parceria com a empresa QuestionPro, oito em cada dez famílias brasileiras que têm filhos em idade escolar costumam reaproveitar materiais do ano letivo anterior. Esta pesquisa buscou identificar padrões de consumo nessas famílias ao comprar materiais escolares antes do início das aulas. Com base na PNAD de 2022 do IBGE, o estudo analisou 1.500 pessoas em todo o país, levando em conta fatores como gênero, idade, escolaridade, classe social e região.

Embora haja um aumento considerável no reaproveitamento de materiais, a intenção de compra segue elevada, especialmente em relação a itens básicos como uniforme e livros didáticos. Nove em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar afirmam que irão às compras para este ano letivo. Outro dado interessante é a avaliação da lista de material escolar enviada pelas escolas. Para 56% dos pais, a lista é considerada adequada, enquanto 42% a consideram excessiva.

A opinião da secretária Márcia Ferreira, que opta por reaproveitar material de anos anteriores por questões financeiras, explica como a lista de material escolar pode ser excessiva. “Sempre foi uma discussão entre os pais. A gente via que a gente mandava isso tudo e não se utilizava isso tudo”, diz ela, citando exemplos de materiais que não são utilizados, mas que são exigidos anualmente. “Os livros vão para o lixo porque não podem ser mais passados para outra pessoa e não foram utilizados, os livros estão novinhos. Então, realmente sim, tem muito material que se pede, que não se utiliza, que já abate da lista do ano seguinte.”

As análises também demonstram que cerca de 88% dos brasileiros que vão às compras afirmam que os gastos afetam o orçamento familiar e 84% avaliam que o preço influencia outros setores, como alimentação, lazer ou pagamento de contas. O impacto é sentido por todas as classes, mas é mais significativo entre as famílias de menor renda. O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, explica como um mesmo gasto obrigatório pode pesar de forma diferente dependendo da classe social. “Muitas vezes, na baixa renda, não sobra dinheiro para o material escolar supérfluo, mesmo nos casos em que eles recebem algum incentivo dos governos municipais e estaduais para a compra desses itens de aprendizado.”

Entre as classes A e B, a percepção de impacto da compra de material escolar no orçamento é de 32%. Já para as famílias das classes D e E, o número salta para 52%. A percepção de que a compra de material escolar afeta o orçamento familiar é um fato constatado em muitas famílias brasileiras.

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