A 16ª Expo Paraguaçu, outrora o coração pulsante da nossa Estância Turística e o evento econômico mais aguardado do ano, está oficialmente cancelada. A confirmação, que soa como um duro atestado de inércia da atual gestão, veio por meio de resposta oficial da Secretaria Municipal de Turismo aos questionamentos levantados pelo membro do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), Dante Henrique Mantovani. Sem recursos nos cofres públicos e sob a sombra de justificativas climáticas, a administração municipal joga a toalha e projeta um incerto retorno da festa apenas para 2027.
Por que a Expo Paraguaçu 2026 foi cancelada?
No ofício oficial, o secretário de Turismo fundamenta a decisão de não realizar o evento em dois pilares principais: contenção de despesas e segurança meteorológica. A Prefeitura alega responsabilidade fiscal, amparando-se nos Decretos Municipais nº 7.412 e 7.449 de 2025, que limitaram empenhos para tentar restabelecer o equilíbrio financeiro.
Essa justificativa gera revolta inevitável na população. Há apenas um ano, a cidade assistiu a um espetáculo de gastos desenfreados, onde os custos da Expo ultrapassaram a marca de R$ 2,1 milhões apenas com shows. Como uma cidade que ostenta o título de Estância Turística permite que a fonte seque tão rápido, inviabilizando seu evento mais rentável por absoluta falha de planejamento financeiro?
A Desculpa do Clima: O “Fator El Niño”
Para blindar o caixa vazio, a gestão recorreu à previsão do tempo. O documento cita relatórios do INMET alertando para a intensificação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, com riscos de chuvas severas na primavera. Embora a segurança estrutural e do público seja um fator inegociável, soa extremamente conveniente utilizar a meteorologia como escudo para mascarar a incapacidade financeira de organizar a festa.
A Ilusão dos R$ 14 Milhões e o Golpe no Comércio Local
A Secretaria de Turismo exalta a recente aprovação de um projeto no Ministério da Cultura que autoriza a captação de R$ 14,1 milhões via leis de incentivo. Contudo, é vital falar a verdade à população: isso não é dinheiro em caixa. Trata-se apenas de uma autorização governamental para buscar patrocínios corporativos até dezembro.
Enquanto a gestão sonha com um financiamento externo milionário e recusa a solução lógica de conceder o evento integralmente à exploração da iniciativa privada — modelo prático e de sucesso em centenas de municípios —, quem paga a conta é a cidade. O comércio local e os inúmeros prestadores de serviço já amargam a certeza de prejuízos irreparáveis.
E o futuro do turismo? Um “Natal Iluminado” incerto
Sem a Expo, a promessa de compensação recai sobre o projeto “Natal Iluminado”. O problema? A própria resposta oficial admite que a realização deste evento também dependerá da incerta captação de recursos externos. O turismo de Paraguaçu Paulista encontra-se, lamentavelmente, refém da sorte. O cancelamento iminente da Expo 2026 não é apenas o fim de uma festa; é um golpe letal na nossa economia e o retrato de uma política pública que deixou a cidade agonizar.
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