A produção do longa-metragem “Dark Horse”, obra cinematográfica que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, encontra-se no epicentro de um grave escândalo financeiro. Documentos sigilosos obtidos e analisados por nossa equipe de reportagem revelam, de forma contundente, que assessores nomeados no gabinete do deputado federal Mario Frias (PL-SP) foram diretamente beneficiados por transferências bancárias realizadas pela Go Up Entertainment, produtora do filme.
As evidências documentais apontam que os pagamentos ocorreram exatamente durante o período de gravações do longa no Brasil, entre os meses de outubro e dezembro do ano passado. Essa sobreposição de calendário acende um alerta sobre o uso indevido da máquina pública, uma vez que os servidores continuaram recebendo seus salários integralmente pela Câmara dos Deputados enquanto dedicavam seu expediente a uma empreitada privada.
Como Funcionou o Esquema de Repasses aos Assessores?
O avanço das apurações baseia-se em comprovantes de transferência entregues à Polícia Federal (PF) pela própria defesa da Go Up e de sua sócia, Karina Ferreira da Gama. O sigilo de parte desse inquérito foi levantado nesta semana por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Caso de Rareska Metsker e a Suposta “Testa de Ferro”
O cenário mais complexo envolve a assessora parlamentar Rareska Metsker. A prestação de contas da produtora expõe que ela foi beneficiária de um total de R$ 24,8 mil. Desse montante financeiro, R$ 14,8 mil foram depositados na conta de uma empresa registrada no nome de sua mãe, sob a justificativa de “serviços de videomaker”. No entanto, a descrição interna das notas fiscais indica que o serviço foi, na verdade, executado pela própria Rareska, configurando o possível uso da familiar para mascarar o recebimento dos valores.
Além dos pagamentos pelos serviços, a produtora bancou integralmente a hospedagem da servidora no hotel Ibis Budget da Vila Mariana, em São Paulo. Foram gastos R$ 9,4 mil para mantê-la alojada entre 21 de outubro e 7 de dezembro. Cruzando as datas, constatou-se que a assessora trabalhou ao menos sete semanas para a Go Up enquanto era financiada pelo pagador de impostos.
Transferências a Luiz Claudio Faria Velloso
A auditoria nos recibos anexados ao inquérito também flagrou o pagamento via Pix no valor de R$ 404,32 a Luiz Claudio Faria Velloso, outro assessor lotado no gabinete de Mario Frias. Velloso já estava sob intenso escrutínio das autoridades e, na última semana, teve endereços vasculhados após um mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Flávio Dino.
As Investigações do STF e a Operação Make Up
O financiamento obscuro de “Dark Horse” tornou-se alvo de duas frentes rigorosas no STF. A primeira, sob a tutela de André Mendonça, investiga um repasse milionário de R$ 61 milhões feito por Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para a produção do longa — um inquérito que esbarra no senador Flávio Bolsonaro.
A segunda frente, comandada por Flávio Dino, foca no possível desvio de emendas parlamentares para custear o projeto. Esse avanço levou a Polícia Federal a deflagrar a Operação Make Up, cumprindo quase meia centena de mandados contra Mario Frias, Karina da Gama e outros envolvidos. O gabinete do deputado não se manifestou sobre a quebra do sigilo. A Folha de Paraguaçu segue acompanhando os desdobramentos judiciais e cruzando novos dados bancários.
