Romeu Zema, ex-governador mineiro e líder do partido Novo-MG, enfrenta um novo desafio após o pedido de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Alexandre de Moraes, outro magistrado da Corte, investigue Zema por “fake news”. A acusação, protocolada por Gilmar, diz que Zema feriu a honra de si mesmo e do tribunal ao criticá-lo em um vídeo postado nas redes sociais.
No vídeo, cujo título é “Os Intocáveis”, Zema acusa o STF de decisões arbitrárias e de seus ministros se considerarem acima da lei. Ele também faz referência a supostas movimentações financeiras suspeitas e insinuações sobre relações com lavagem de dinheiro e o PCC. “Eu não vou engolir isso, o STF do Brasil se transformou num ‘Supremo Balcão de Negócios'”, diz o ex-governador.
Romeu Zema afirma que ainda não foi notificado do pedido de Gilmar e que o STF age sem transparência, não dando direito de defesa à outra parte e impondo um caráter sigiloso ao inquérito. “Eu tenho criticado essa ‘farra dos intocáveis’ desde o início do escândalo do Banco Master”, diz ele. “Se eles queriam me atingir, o tiro vai sair pela culatra, porque a minha indignação e inconformismo só aumentaram desde que tomei conhecimento disso”.
O ex-governador mineiro foi alvo do pedido de Gilmar após postar o vídeo nas redes sociais. Romeu Zema também intensificou as críticas ao Judiciário em manifestações públicas recentes, afirmando que ministros não podem ser considerados acima da lei. Em um dos discursos, declarou que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli “não merecem só impeachment, eles merecem prisão”.
Entre os motivos que levaram Zema a criticar o STF está uma decisão de Gilmar Mendes de impedir a quebra de sigilos da Maridt Participações, uma empresa de propriedade do ministro Dias Toffoli e de seus irmãos. As investigações da Polícia Federal apontam que ela seria a operadora financeira das fraudes cometidas pelo Banco Master contra o sistema financeiro.
Já em relação a Moraes, as suspeitas de envolvimento no escândalo do Master recaem sobre supostos diálogos dele com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. As suspeitas também recaem sobre o contrato de R$ 129 milhões que a esposa de Moraes, Viviane Barci, firmou com o banco para prestar assessoria advocatícia.
“Até me parece que tem sido um modus operandi do Supremo, em especial de alguns ministros fazerem isso sem dar o devido direito de defesa a outra parte, de forma que tudo é sigiloso e quando você toma conhecimento [da investigação] já está num estágio mais avançado”, completa Zema na crítica ao STF.
