Trump Questiona Aliados da OTAN no Afeganistão: Entenda a Polêmica

Um comentário do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a suposta pouca ajuda de aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) durante a guerra no Afeganistão (2001-2021), tem gerado uma onda de reações e indignação em diversos países membros da aliança militar ocidental. A Folha de Paraguaçu apurou que as declarações, feitas em um contexto de ceticismo de Trump sobre a lealdade dos aliados em caso de agressão militar contra os EUA, intensificam debates sobre a solidez da OTAN e a partilha de responsabilidades, especialmente diante de seus planos de anexar a Groenlândia, território dinamarquês autônomo. O ex-presidente considera o território essencial para a defesa nacional americana.

Trump expressou abertamente sua dúvida quanto à reciprocidade em uma agressão: “Eu sempre falo: ‘Eles nos ajudarão, se precisarmos deles?’ E esse é realmente o teste final. E eu não tenho certeza disso. Sei que nós os ajudaríamos, mas eles nos ajudariam?”. Ele chegou a ironizar a participação dos aliados no Afeganistão, afirmando que as tropas enviadas por outras nações “ficaram um pouco para trás, um pouco afastadas da linha de frente”.

A Reação dos Aliados e o Artigo 5º da OTAN

A guerra no Afeganistão marca a única vez na história em que o Artigo 5º da OTAN foi invocado. Este artigo estabelece que um ataque a um membro da aliança é considerado um ataque a todos. Após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, nações da OTAN se uniram às forças americanas no país asiático, demonstrando solidariedade e compromisso com o pacto de defesa mútua.

Os custos humanos dessa coalizão foram significativos. Mais de 3,5 mil militares da força combinada que combateu a Al-Qaeda perderam suas vidas. Deste total, aproximadamente 2,4 mil eram americanos, mas outros países da OTAN também sofreram pesadas baixas, incluindo o Reino Unido (457 mortos), o Canadá (158) e a França (90). Essas cifras desmentem a ideia de uma participação marginal ou distante da linha de frente.

Exigências de Desculpas e a Voz da Polônia

As declarações de Trump provocaram respostas contundentes. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, exigiu que Trump peça desculpas publicamente. Starmer enfatizou que os comentários causaram “tanto sofrimento aos entes queridos daqueles que foram mortos ou feridos”, reforçando que, em seu lugar, ele se desculparia por tais palavras.

A Polônia, um aliado robusto da OTAN, também manifestou forte repúdio. Um general polonês da reserva e ex-comandante que serviu no Afeganistão e no Iraque, cobrou um pedido de desculpas, declarando que Trump “cruzou uma linha vermelha”. O oficial militar lembrou: “Pagamos com sangue por esta aliança. Sacrificamos verdadeiramente nossas próprias vidas”.

O vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa polonês, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, usou as redes sociais para reiterar o compromisso de seu país. Ele destacou a participação polonesa em missões no Afeganistão e Iraque, afirmando que a Polônia “é e sempre será uma aliada responsável e confiável”. Kosiniak-Kamysz concluiu que o sacrifício de soldados poloneses, que pagaram o preço máximo em defesa da segurança internacional e de seu país, jamais será esquecido ou minimizado, reafirmando a Polônia como uma aliada comprovada e inabalável.

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