Trump sinaliza Mudança de eixo nas relações internacionais

por Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Sob a gestão de Donald Trump, os Estados Unidos consolidam uma ruptura estrutural em sua política externa, abandonando a histórica estratégia Leste-Oeste para priorizar o eixo Norte-Sul, isto é, Washington deixa de investir no desgaste do Oriente Médio e na volatilidade da Ásia e da Europa para focar na criação de um bloco autossuficiente que se estende da Groenlândia à Patagônia. Essa reorientação é vista como uma medida de sobrevivência americana diante de uma nova corrida diante de tecnologias revolucionárias e inteligência artificial.

A nova doutrina fundamenta-se em três pilares: o acesso soberano a terras raras, a segurança integral de recursos (minerais, energia e alimentos) e a capacidade de neutralizar adversários sem confrontos bélicos de larga escala. Nesse cenário, a Europa é retratada como um pilar em decadência, vítima de um “socialismo fabiano” que resultou em estagnação econômica e colapso demográfico. Em contraste, a América Latina surge como o aliado ideal, não apenas pela abundância de recursos, mas pela afinidade cristã e de valores compartilhados, tornando a integração hemisférica mais barata e pragmática do que a manutenção de alianças transatlânticas onerosas, como a OTAN.

O Brasil ocupa posição estratégica e de urgência nesse cenário. Para a viabilidade desse bloco americano, o governo dos EUA deve agir de forma implacável contra o narcotráfico e a influência de potências como China e Rússia, vistas como agentes de subversão. A soberania nacional será testada: o país terá de decidir, até o final de 2026, entre a integração a uma superpotência pragmática ou o isolamento em blocos como o BRICS, classificado como instável.

Embora o alinhamento com Washington exija concessões, é a alternativa mais segura para garantir a liberdade e a estabilidade institucional frente a modelos autocráticos. A transição para o eixo Norte-Sul é um caminho sem volta, onde a proteção contra regimes nocivos supera os riscos de uma autonomia isolada em um cenário global, em chamas.

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