A oposição venezuelana, através de sua proeminente líder María Corina Machado, projeta a possibilidade de realizar eleições democráticas no país em um período de até um ano. Esta perspectiva surge em meio a um cenário político complexo após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e a subsequente instauração de um regime interino sob Delcy Rodríguez, gerando expectativas sobre o futuro democrático da nação.
Machado, reconhecida globalmente por sua luta e agraciada com o Prêmio Nobel da Paz 2025, manifestou sua convicção de que um processo de transição genuíno, culminando em votação manual, poderia ser concluído em nove ou dez meses. A líder opositora ressalta, contudo, que a celeridade desse processo está intrinsecamente ligada ao momento de seu início efetivo.
O Cenário Pós-Maduro e a Visão Americana
A Folha de Paraguaçu acompanhou de perto os desdobramentos na Venezuela desde a captura de Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro em uma operação conduzida pelas forças americanas. Após este evento, a administração dos Estados Unidos estabeleceu relações com o regime interino, afirmando que o país sul-americano opera sob sua tutela. A diplomacia americana, por meio de seus representantes, tem reiterado o objetivo de uma Venezuela “democrática”, pautada por “eleições livres e justas”. Entretanto, detalhes e prazos específicos para essa transição ainda não foram formalmente apresentados pelas autoridades estadunidenses, que sugerem um processo gradual.
Otimismo da Oposição e Encontros em Washington
Em suas recentes declarações, Machado revelou ter se encontrado com o presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro, ocasião em que o presenteou com sua medalha do Nobel. Embora um cronograma eleitoral detalhado não tenha sido o foco da discussão com o líder americano, a representante da oposição demonstrou um otimismo inabalável quanto à viabilidade de um pleito justo e transparente.
A confiança da líder opositora baseia-se em pilares que considera inabaláveis. “Acreditamos firmemente que possuímos uma cultura democrática sólida, uma sociedade organizada e uma liderança legítima que desfruta de amplo apoio popular”, afirmou Machado. Ela ainda enfatizou que as forças armadas venezuelanas também endossam a transição para a democracia, fator que, em sua visão, é crucial para a estabilidade e sucesso do processo.
O Desejo Popular por Mudança
Um indicativo forte do anseio da população por eleições livres, conforme analisado pela Folha de Paraguaçu, foram as últimas eleições presidenciais, realizadas em 28 de julho de 2024. Naquele pleito, embora as autoridades venezuelanas tenham declarado a reeleição de Maduro, a oposição e diversas nações denunciaram fraudes, reconhecendo a vitória do candidato Edmundo González Urrutia, apoiado por Machado.
Esse episódio serve como um exemplo contundente da determinação do povo venezuelano em buscar a mudança política. “Se fomos capazes de realizar tal feito em condições tão extremas, imagine agora, com o respaldo do governo dos EUA e a percepção de que não estamos sozinhos”, pontuou Machado, expressando seu desejo de retornar à Venezuela o mais breve possível para participar ativamente deste momento histórico. A jornada para a democratização do país vizinho, embora complexa, parece ganhar um novo fôlego com a determinação de seus líderes e o apoio internacional.
