Vinhos de Altura é o tema da coluna de hoje.
Quando conversamos com Chefs de cozinha, no meu caso, tento sempre identificar uma digital ou assinatura própria nos seus pratos, seja nos temperos, insumos “toques” de sabor a descobrir, enfim, um universo a que nos é proposto inicialmente através da imaginação e memória gustativa.
Neste exemplo que vos relato hoje, teve a ver com o contato que tive com o Chef do “Kaitô” Diego Kirsten.
Como português, tenho sempre a consideração de apostar na troca de experiências culturais que sempre tivemos e nomeadamente na Enogastronomia.
Entre um exemplo e outro, é me proposto, entre um naipe de quatro pratos, onde a brasilidade estava bem representada com as frutas e peixes locais, mas com a maestria e rituais japoneses na sua apresentação.
A sugestão de exemplares de “Vinhos de Altura”, sendo estes produzidos acima dos 1000 mts de altitude na Serra Gaúcha, e como exemplar um “Alvarinho”, foi a proposta que me foi considerada a degustar.
Fiquei curioso com o quão arriscado seria por parte dos produtores, reproduzirem a cultura de uma uva autóctone portuguesa, com as mesmas características aqui no Brasil.
Para grande espanto meu, na minha memória gustativa, estava no Norte de Portugal e próximo á fronteira espanhola, com um “Albariño” na taça!
Na estrutura, grandes semelhanças com as características de minerabilidade das regiões de Melgaço e Monção, no norte de Portugal, e os toques graníticos do solo Alentejano.
Uma experiência, na qual revivi, a digital das nossas descobertas e influências, também gastronômicas, por meio mundo, onde estive á mesa com o Japão, na cozinha, na taça com a Serra Gaúcha do Brasil e no palato com a terrinha a surgir de forma discreta mas com grande personalidade.
Agradecimentos ao Chef Diego Kirsten, por tão agradável companhia e experiência.
Decantem-se!
João Carlos Farrapa
Petit Sommelier/Enólogo
