Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, recebeu em sua residência o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, no final da tarde da quinta-feira (23). A reunião, marcada na agenda oficial do ministro, foi ocasionada por uma ação do Partido Social Democrata, que busca definir a forma como o próximo governador do Rio de Janeiro será escolhido. A Corte Suprema ainda não decidiu se a escolha será feita por meio de eleições diretas suplementares ou por eleição indireta, pelos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O presidente da Alerj, eleito na sexta-feira passada (17), é Douglas Ruas, do Partido Liberal. Em seu discurso de posse, ele criticou a permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, na chefia do Executivo. Neste mesmo dia, a Alerj enviou ao STF um pedido para que seu presidente assuma o Executivo. O pedido ocorre em um momento em que a sucessão do governo do Rio de Janeiro depende da decisão do Supremo.
A ação que ocasionou a reunião entre Zanin e Costa Neto foi determinada pelo ministro para suspender as eleições indiretas até que a Corte Suprema decida sobre a sucessão. Neste sentido, Ricardo Couto de Castro continua exercendo o cargo interinamente. Para tentar reverter a decisão, o Partido Liberal pede que o presidente da Alerj seja considerado automaticamente o governador interino do Rio de Janeiro. O pedido foi direcionado à ação em que o ministro Luiz Fux é o relator.
A instabilidade política que o estado enfrenta atualmente começa em maio de 2025, quando o vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Após sua saída, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), foi afastado, cassado e depois preso. Sem um sucessor, Cláudio Castro (PL) decidiu renunciar para disputar o Senado, em meio a um processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ministro Flávio Dino suspendeu o julgamento no Supremo com um pedido de vista. O objetivo, de acordo com ele, é aguardar a publicação do acórdão do TSE, para que se tenha uma resposta exata sobre os efeitos eleitorais da condenação. A decisão do Supremo Tribunal Federal ainda não foi tomada, e a sucessão do governo do Rio de Janeiro continua em aberto.
