Do disco à playlist: o que ficou pelo caminho
A era do algoritmo e o fim da descoberta musical
Sou “das antigas”, dos tempos dos discos de vinil, das músicas no rádio. Duas coisas que eram fáceis de encontrar, em casa, eram discos e livros. Cresci ouvindo os vinis que minha mãe comprava. Aos 4 anos, já colocava o disco “A Arca de Noé” na vitrola. A música era “visível” nas capas dos discos, e “palpável” quando os pegávamos.
Fui crescendo, o repertório foi mudando: aos 7 anos, os discos favoritos passaram a ser os de Milton Nascimento, Sá e Guarabyra e Grupo Tarancón; aos 10 anos, descobri os discos de música clássica.
Hoje, observando as crianças que me cercam, observo que o algoritmo e os “influenciadores” é que decidem o que eles vão ouvir. Com isso, crianças muito novas acabam tendo acesso a repertórios que não agregam valor nenhum às vidas infantis, muito pelo contrário.
Ocorre que, em muitos casos, as famílias tampouco têm acesso a repertórios de qualidade. É neste ponto que se nota o importante papel da escola, onde deveriam existir aulas de iniciação musical. Infelizmente, os governantes não dão o devido valor à importância da música na formação do indivíduo e investe-se pouco na musicalização infantil.
Com isso, boas músicas perdem-se pelo caminho das transições tecnológicas, o que é uma lástima.



