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Eleições no Peru: Chancelaria rejeita fraude em votos fora

O Ministério das Relações Exteriores do Peru rejeitou categoricamente as acusações de manipulação nos votos do exterior, elevando a tensão política na apuração do segundo turno presidencial. A manifestação oficial ocorre após o candidato de esquerda, Roberto Sánchez, questionar a integridade do processo eleitoral e sofrer uma derrota na Justiça Eleitoral, que negou seu pedido de anulação dos votos de cidadãos residentes em outros países.

A polêmica sobre o aplicativo de digitalização

O centro da disputa envolve a decisão de não utilizar um aplicativo de apoio para digitalização das atas de votação no segundo turno. A ferramenta havia sido testada em 108 dos 180 consulados peruanos durante a primeira fase do pleito. Contudo, devido a falhas operacionais e inconsistências técnicas reportadas pelas próprias repartições diplomáticas, o uso do sistema foi descontinuado.

A medida foi tomada em estreita coordenação com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). A chancelaria esclareceu que o aplicativo era um recurso estritamente complementar e operacional. Portanto, sua ausência na etapa decisiva não alterou as regras da Lei Orgânica das Eleições, mantendo válidos todos os ritos legais previstos.

Garantia da cadeia de custódia e segurança

A exclusão do software não gerou vulnerabilidades no transporte das informações oficiais. O governo garantiu que, após o encerramento da votação nos consulados, as atas foram devidamente lacradas e expostas ao público para consulta transparente antes do envio ao Peru.

O transporte físico de todo o material eleitoral ocorreu sob severas medidas de segurança e rastreabilidade, utilizando o canal de mala diplomática e escolta de funcionários credenciados. A lisura do pleito internacional contou ainda com a fiscalização direta de partidos políticos, observadores internacionais e órgãos de controle social.

Apuração dramática e indefinição eleitoral

Com mais de 99% das atas computadas, a disputa segue extremamente acirrada. A candidata de direita, Keiko Fujimori, lidera com 50,118% dos votos válidos, enquanto Roberto Sánchez aparece com 49,882%. A diferença entre os concorrentes é de pouco mais de 44 mil votos.

A consolidação do resultado final depende do julgamento de 439 atas restantes que apresentaram inconsistências formais e estão sob análise minuciosa da Justiça Eleitoral. O partido de Sánchez já sinalizou que não pretende reconhecer o desfecho das urnas caso os recursos sejam negados, prolongando a incerteza institucional no país vizinho.

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