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Furtos de Fiação em Paraguaçu Paulista Expõem Falhas

Normas da Energisa e falta de patrulhamento noturno facilitam ações criminosas e exigem novas leis locais

Furtos de Fiação em Paraguaçu Paulista Escancaram Falhas na Segurança e Normas da Concessionária

Na madrugada do dia 20 para 21, uma onda coordenada de furtos de fiação elétrica atingiu diversos comércios em Paraguaçu Paulista. A ação criminosa sistemática expõe não apenas a fragilidade do patrulhamento noturno no município, mas também as severas brechas de segurança geradas pelas próprias normas de instalação impostas pela concessionária de energia local.

Imagens de monitoramento flagraram a ação detalhada e despreocupada dos vândalos. Em um dos casos registrados entre 03h e 04h da manhã, os criminosos rondaram um comércio recém-construído por vários minutos, avaliando o perímetro sem qualquer interrupção. O agravante é irrefutável: durante toda a ação, os registros mostram que nenhuma viatura policial patrulhou a região. Após arrancar os fios, o grupo utilizou uma área de mata próxima para esconder o material furtado. Há relatos confirmados de pelo menos outras três ocorrências idênticas apenas na mesma madrugada.

Como a Norma da Energisa Facilita os Furtos de Fiação?

A ousadia dos criminosos é impulsionada, de forma indireta, pelas exigências técnicas vigentes. A Norma de Distribuição Unificada (NDU 001) da Energisa obriga que as caixas de padrão de entrada fiquem no limite exato da propriedade com a via pública, mantendo visores e disjuntores voltados diretamente para a calçada.

Essa diretriz, elaborada para facilitar exclusivamente a leitura e manutenção por parte da empresa, ignora a realidade criminal do município e deixa os equipamentos em total vulnerabilidade. Somado a isso, o constante atraso da concessionária em efetuar as novas ligações faz com que cabos recém-instalados fiquem sem energia por dias, transformando-se em alvos fáceis, seguros e altamente atrativos para os bandidos.

O Ciclo da Impunidade e a Venda Clandestina

O impacto destrutivo vai muito além do comércio. Vizinhos de áreas em desenvolvimento relatam um histórico de prejuízos absurdos, com obras sendo saqueadas mais de quatro vezes consecutivas — muitas vezes, mesmo após a rede já estar energizada.

Esse cenário caótico evidencia uma falha estrutural profunda. Demonstra a clara incapacidade da segurança pública em agir preventivamente e escancara a impunidade reinante. O material furtado, predominantemente o cobre, é facilmente escoado no mercado clandestino em troca de dinheiro rápido ou pedras de crack, alimentando um ciclo vicioso de criminalidade e dependência química na cidade.

A Necessidade Urgente de Novas Leis Locais e Estaduais

Para reverter essa crise de segurança patrimonial, é imprescindível e urgente uma atualização na legislação local e estadual. Leis municipais mais rígidas de fiscalização sobre ferros-velhos e receptadores de metais são o primeiro passo vital para asfixiar a economia do mercado ilegal.

Paralelamente, o poder público, através do Legislativo, precisa revisar e confrontar normas de concessionárias que colocam o patrimônio do cidadão em risco contínuo sob a justificativa de facilidade operacional. A segurança pública deve ser encarada como uma via de mão dupla em Paraguaçu Paulista, onde a eficiência e presença ostensiva do policiamento se encontrem com regulamentações que protejam de fato a população, e não apenas facilitem a burocracia corporativa.

 

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