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Em Vistoria no Cine Teatro, COMTUR Cobra Destino de R$ 2,5 Milhões

Entenda a polêmica: verba milionária que poderia salvar o histórico Lucila Nascimento será usada em prédio administrativo do Turismo.

Na manhã da quarta-feira (10), a vistoria técnica do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) no Cine Teatro Municipal Lucila Nascimento escancarou o maior embate político e estrutural de Paraguaçu Paulista na atualidade. Mais do que avaliar goteiras, poltronas quebradas e a ausência de um sistema de climatização, a diligência trouxe à tona a indignação generalizada sobre a destinação de uma verba DADETUR na casa dos R$ 2,5 milhões. Afinal, por que um recurso bilionário está sendo direcionado para a criação de um prédio administrativo, enquanto o principal patrimônio cultural da cidade agoniza de portas fechadas?

Essa inversão de prioridades tem gerado um racha interno e forte cobrança popular. A administração municipal decidiu utilizar os R$ 2,5 milhões para reformar a antiga Casa da Lavoura, transformando-a na nova sede da Secretaria de Turismo e em um Centro de Atendimento ao Turista (CAT).

A Polêmica dos R$ 2,5 Milhões: CAT ou Cine Teatro?

Durante a vistoria no Cine Teatro, o clima de frustração era palpável. O sucateamento é tão agressivo que o próprio Secretário Municipal de Cultura entrou no embate de forma incisiva. Inconformado com o fato de o Teatro Lucila Nascimento ter sido preterido no repasse estadual, ele deixou claro que, se a burocracia fosse o problema, ele transferiria oficialmente o Cine Teatro da pasta da Cultura para a pasta do Turismo apenas para garantir a injeção desses R$ 2,5 milhões no prédio.

Para especialistas e membros do conselho, injetar esse montante no teatro garantiria não apenas a reforma do telhado e a adequação do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), mas também a modernização completa do local, transformando-o novamente em um polo de atração de visitantes e grandes espetáculos, fomentando a economia real do município.

Durante a inspeção técnica, foi destacado e constatado pelos presentes que o sistema de som do local não é mais funcional. Além disso, a estrutura das mais de 550 cadeiras da plateia precisa urgentemente de manutenção e reforma para voltar a receber o público com o mínimo de conforto. Para agravar o cenário de insegurança e dificultar a emissão do AVCB, os sistemas de alarme e incêndio funcionam apenas parcialmente

Pressão, Prazos Suspeitos e Investigação na Câmara

A forma como esse projeto milionário foi chancelado pelo COMTUR também está sob forte escrutínio. Durante a deliberação em maio, o Secretário de Turismo forçou a aprovação alegando que o prazo estadual para não perder o recurso expiraria naquele exato dia.

A suposta manobra para calar o debate técnico não passou despercebida pelo Legislativo. O vereador Daniel Faustino colocou a justificativa da pasta em xeque e protocolou um requerimento exigindo que o Governo do Estado esclareça o calendário real do convênio. O objetivo é descobrir se o prazo imposto foi verdadeiro ou apenas um artifício para aprovar o CAT a fórceps. Em paralelo, o vereador Douglas Khenayfis também cobrou explicações oficiais da Prefeitura sobre essa grave inversão de prioridades.

Enquanto a burocracia e as suspeitas de manobras políticas avançam, o turismo de Paraguaçu Paulista continua respirando por aparelhos. Resta saber se os R$ 2,5 milhões trarão algum visitante à cidade ou se erguerão apenas mais um “elefante branco” administrativo, deixando o Cine Teatro relegado ao esquecimento e à poeira.

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