Região

Vereador do PT é Preso em SP por Lavagem de Dinheiro no Transporte

Operação Última Parada desarticula esquema milionário do PCC operado por meio de empresa de ônibus urbano na capital paulista.

Na manhã desta quinta-feira (25), o cenário político paulistano foi abalado pela prisão do vereador Senival Pereira de Moura. O parlamentar foi o alvo central da Operação Última Parada, uma força-tarefa rigorosa que desvendou uma complexa teia de lavagem de dinheiro controlada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Cumprindo seu sexto mandato consecutivo na Câmara Municipal de São Paulo, o político atuava como primeiro-secretário da Mesa Diretora. Com quase três décadas de influência no setor de transportes, ele também presidia a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica. Agora, as investigações apontam que essa influência legislativa era utilizada para facilitar operações financeiras da maior organização criminosa do país.

Como Funcionava a Lavagem de Dinheiro no Transporte Público?

O epicentro do escândalo financeiro é a Transunião Transportes S.A., uma gigante do setor que opera 51 linhas e transporta quase 400 mil passageiros diariamente na Zona Leste da capital. As autoridades identificaram que a companhia servia como uma sofisticada fachada para movimentar e branquear os recursos ilícitos do narcotráfico. Apenas no ano passado, a viação recebeu mais de R$ 300 milhões em repasses do sistema municipal.

O que acendeu o alerta dos órgãos de controle foi a maquiagem societária da empresa. O capital social da Transunião saltou de pouco mais de R$ 100 mil para impressionantes R$ 50 milhões sem qualquer comprovação da origem dos fundos. Esse enriquecimento artificial permitiu que a empresa vencesse vultosas licitações públicas. O vereador detido, de acordo com o inquérito, atuava como o verdadeiro proprietário de uma parcela significativa dos veículos dessa frota, extraindo vantagem econômica direta e mantendo uma estrutura paralela para repassar lucros aos criminosos.

Bloqueio de Bens e Mais Prisões

A Justiça determinou o afastamento imediato de toda a diretoria da empresa de ônibus. Além do parlamentar, o atual presidente da Transunião e outros operadores logísticos foram presos. A ofensiva cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão.

Para asfixiar a estrutura da organização, foram bloqueados mais de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. O sequestro de bens incluiu ainda 117 veículos, três embarcações e 21 imóveis espalhados pela Grande São Paulo e pelo interior de Minas Gerais.

O Assassinato que Desencadeou a Operação

O fio da meada para desmantelar a organização criminosa surgiu após um assassinato ocorrido em 2020, quando o então presidente da viação foi executado a tiros. Documentos apreendidos durante o inquérito revelam que o homicídio ocorreu porque a facção criminosa descobriu desvios milionários dos cofres da empresa — dinheiro que, supostamente, alimentava um esquema de “caixa dois” para financiar campanhas políticas do vereador.

A investigação aponta que a liderança criminosa decretou a morte dos envolvidos na fraude. Contudo, o parlamentar teria sido “perdoado” por sua forte influência política e pela capacidade de ressarcir os cofres da facção, chegando a concordar com a execução do seu antigo aliado. Após o crime, operadores financeiros do próprio grupo criminoso assumiram o controle absoluto da empresa de transportes.

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