Não cuida nem do básico e quer tirar a rodoviária do centro para tumultuar bairro residencial: para que serve obra mirabolante se a cidade está abandonada?
Com o Balneário erodido, Maria Fumaça parada e patrimônios invadidos pelo mato, ideia de levar o terminal para o Jardim Tênis Clube revolta moradores e comerciantes.

Paraguaçu Paulista ostenta o título oficial de Estância Turística e recebe verba carimbada todo ano dos cofres públicos para isso. Mas pergunte para quem trabalha em bar, padaria, restaurante, posto de combustível ou na hotelaria local: onde é que estão os turistas?
Agora, em vez de fazer o feijão com arroz e cuidar do que está caindo aos pedaços, surge nos discursos da gestão uma proposta sem pé nem cabeça: tirar a rodoviária do centro da cidade e transferi-la para dentro do Jardim Tênis Clube.
A pergunta de qualquer cidadão de bom senso é imediata: quem foi que teve a brilhante ideia de prejudicar o comércio central e ao mesmo tempo tirar o sossego de um bairro residencial tranquilo com tráfego de ônibus pesados e barulho na madrugada? E o pior: de que adianta inventar essa mudança se o visitante chegar aqui e encontrar a cidade inteira sucateada?
Basta andar pelos quatro cantos do município para ver o tamanho do descaso e a lista revoltante de patrimônios abandonados pela gestão:
Balneário Municipal: O que deveria ser o coração do lazer da família paraguaçuense virou retrato de desolação. Mesmo com obra contratada, o local está totalmente erodido, com construções abandonadas pelas empreiteiras e um desleixo absoluto com o dinheiro do contribuinte.
Maria Fumaça: O maior símbolo do nosso turismo histórico simplesmente não roda e não funciona, servindo apenas de enfeite estático enquanto o potencial dos nossos trilhos é jogado no lixo.
Escola Vail Toledo: Um retrato escandaloso de descaso. O prédio está literalmente abandonado, tomado pelo matagal, sofrendo invasões constantes e furtos sem qualquer vigilância do poder público.
Teatro Municipal: Portas fechadas, reformas intermináveis e a cultura da nossa terra trancada a sete chaves.
Museu do Trem e Museu e Biblioteca Municipal: Nossa memória histórica e ferroviária esquecida, sem projetos vivos para atrair visitantes e estudantes.
Memorial As Galvão: Homenagem a um dos maiores ícones da música caipira brasileira deixada às moscas, sem fluxo e sem integração com a rota turística regional.
Fonte Luminosa: Cartão-postal tradicional que deveria encantar nossas noites, mas segue entregue ao abandono e à falta de manutenção.
Sede Social do PTC e Centro Poliesportivo (Buracão na Barra Funda): Espaços tradicionais de lazer, esporte e convivência comunitária desgastados pelo tempo e pela inércia.
Antiga Fábrica IMAC (Conceição de Monte Alegre): Patrimônio histórico regional valioso que se deteriora a cada chuva sem destinação ou plano de resgate.
Escola Ambiental, Prédio do CATI, Pimec e Tear Dona Pureza: Espaços com vocação educacional, ambiental, social e artesanal jogados para escanteio pela administração.
Estádio Municipal: O palco do esporte paraguaçuense esquecido, sem a estrutura e o cuidado que os nossos desportistas merecem.
Pórtico de Entrada e Centro de Convergência Turística: As portas de entrada e as estruturas feitas para recepcionar pessoas mostram a cara do desleixo logo no primeiro impacto de quem chega à cidade.
Turismo sério serve para gerar renda real: movimentar o comércio, encher pousadas e valorizar a cidade, não para criar transtorno em bairro residencial.
Querer inventar mudança faraônica de rodoviária — quando não se consegue sequer evitar que uma escola seja saqueada ou que o Balneário desmorone em erosão — é a velha tática de tentar vender maquete colorida para disfarçar a incompetência no presente.
Paraguaçu Paulista não precisa de invenção para atrapalhar a vida dos bairros e do centro. Precisa de vergonha na cara, respeito com o dinheiro público e competência para fazer o que já temos voltar a funcionar de verdade.



