
A ilusão das trincheiras é o novo artigo de Sandra Campos. Confira a seguir.
Nos últimos meses, as redes sociais foram inundadas por campanhas agressivas voltadas a jovens brasileiros. Diante do severo desgaste e do alto índice de baixas, Rússia e Ucrânia expandiram canais em português, acenando com salários sedutores de R$ 25 mil a R$ 60 mil mensais.
O que muitos não percebem é que, por trás desse falso heroísmo, esconde-se um bilhete só de ida para o inferno.
A ilusão das trincheiras
A ilusão começa no bolso: os países não pagam os custos da viagem. Hoje, empresas de fachada e agenciadores fraudulentos lucram alto cobrando taxas abusivas para intermediar o envio desses rapazes, prometendo vagas falsas na retaguarda.
Atraídos pelo dinheiro, os voluntários assinam contratos em língua estrangeira sem sequer entender o que está escrito e embarcam encarando o conflito como se fosse um videogame.
A realidade nas trincheiras é um nocaute brutal. Eles se deparam com bombardeios massivos, frio extremo abaixo de zero e uma barreira linguística que custa vidas. Para piorar, as unidades militares retêm os passaportes originais na chegada, impedindo a desistência imediata.
O risco final é o mais devastador: se capturados, esses jovens tornam-se prisioneiros de guerra sem qualquer assistência. O governo russo frequentemente os nega direitos humanitários básicos, e o Itamaraty já adverte que não possui poder legal para negociar resgates de quem foi por conta própria.
Dezenas de brasileiros(as) já morreram ou desapareceram no front. Se o voluntário morre, o governo brasileiro não paga o translado do corpo. As famílias ficam desamparadas, enfrentando calotes burocráticos internacionais para tentar provar o óbito de filhos cujos corpos foram abandonados em valas comuns.
A guerra não é um jogo. Nenhuma promessa financeira vale o preço de se tornar estatística. Proteger a própria vida e o futuro é o único combate que realmente importa. Até agora já são 35 mortes confirmadas de brasileiros e 92 ‘desaparecidos’. Fontes extraoficiais apontam para mais de 100 óbitos de brasileiros e brasileiras na guerra da Ucrânia.

A foto que ilustra esse artigo é da brasileira Thalita do Valle, de 39 anos que morreu na guerra da Ucrânia, ela era socorrista, atiradora de elite e voluntária. Em 1º de julho de 2022, Thalita estava num bunker (um esconderijo fortificado) na cidade de Kharkiv, na Ucrânia, atuando junto às tropas ucranianas, ela morreu de forma dramática, foi asfixiada por conta de um incêndio em um bunker após um bombardeio russo na região.
O ataque também resultou na morte de outro voluntário brasileiro, o ex-militar Douglas Búrigo que correu ao bunker na tentativa de salvá-la e também perdeu a vida atingido por um segundo bombardeio no mesmo local.
Sobre a Autora: Eu, Sandra Campos, perdi meu filho de 24 anos para o suicídio. Transformei a dor em propósito e hoje sou ativista pela vida no projeto “Não te julgo, te ajudo!”, oferecendo acolhimento e escuta amiga. Não passe por esse peso sozinho. WhatsApp: (11) 94813-7799 | Instagram: @sandracamposa_



