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Artistas Denunciam Desmonte da Cultura em Paraguaçu Paulista

Cine Teatro fechado, museu abandonado e verba da Lei Aldir Blanc retida motivam protesto histórico na Câmara.

Artistas Denunciam Desmonte Histórico da Cultura em Paraguaçu Paulista

A cultura de Paraguaçu Paulista respira por aparelhos. Na noite da última segunda-feira (6), o plenário da Câmara Municipal tornou-se palco de um protesto incisivo de fazedores de cultura locais. Atores, músicos, escritores e produtores se uniram para denunciar o que classificam como um “desmonte” das políticas públicas do setor. A manifestação pacífica acompanhou a apresentação de requerimentos do vereador Daniel Faustino, que cobra explicações da Prefeitura sobre o destino de verbas federais e a transparência na aquisição de equipamentos musicais.

Abandono do Cine Teatro e Espaços Insalubres

O clamor principal da classe artística ecoa no fechamento do Cine Teatro Municipal Lucila Nascimento. Considerado o coração da expressão artística na cidade, o espaço encontra-se inativo e em processo de deterioração. Essa interdição priva a população de cinema e espetáculos, além de retirar dos artistas locais o seu principal palco de atuação.

A situação se agrava ao observarmos o trato com a preservação da memória municipal. O Museu e a Biblioteca Municipal foram alocados em espaços classificados como insalubres pelos manifestantes. O resultado imediato é a perda acelerada de acervos literários e arquivos históricos inestimáveis, caracterizando um verdadeiro abandono da identidade paraguaçuense aos trancos e barrancos.

Banda Municipal Desvalorizada e Verba Retida

Outro ponto crítico levantado no protesto envolve a Escola de Música e a centenária Banda Municipal (Lyra Maestro Roque Soares de Almeida), que juntas atendem cerca de 140 famílias. Os músicos trouxeram a público a denúncia de que foram entregues à instituição instrumentos de qualidade visivelmente inferior aos que foram efetivamente orçados e previstos pela atual administração.

No campo financeiro, a indignação gira em torno dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Os cofres da Prefeitura já guardam mais de R$ 300 mil destinados exclusivamente ao setor. No entanto, há uma omissão estrutural de informações. Nenhum cronograma para editais, premiações ou projetos de fomento foi apresentado aos trabalhadores da cultura, que seguem desamparados.

A Mordaça e a Falta de Diálogo

A ausência de transparência esbarra diretamente na postura da atual gestão. Manifestantes relataram a absoluta falta de capacidade técnica e de diálogo com o atual secretário de Cultura, Fernando Souza. A prova cabal desse isolamento ocorreu no ambiente virtual: após criar um grupo de WhatsApp para integrar os profissionais e debater ações, o secretário bloqueou a interação dos membros ao receber as primeiras críticas. O canal tornou-se um mural unilateral apenas para os comunicados da pasta.

Sem canais oficiais de escuta, os artistas de Paraguaçu Paulista iniciaram um abaixo-assinado e prometem continuar ocupando as ruas e os espaços públicos. A mensagem deixada na Casa de Leis foi direta: a arte existe para provocar e, diante da ruína de seu patrimônio, a classe cultural não aceitará o silenciamento.

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