O ataque ao território venezuelano, realizado pelo governo dos Estados Unidos, é um evento de grande magnitude histórica para toda a América do Sul. Trata-se da primeira intervenção direta dos EUA na região desde a invasão do Panamá em 1989, quando o general Manuel Noriega, acusado de envolvimento com o narcotráfico, foi derrubado do poder.
O presidente estadunidense, Donald Trump, havia defendido a ideia de que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tinha um papel central no tráfico de drogas no continente, uma alegação que não foi comprovada. No entanto, o ataque realizado pelo governo dos EUA configura uma violação da soberania nacional do território venezuelano, como explica o professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bernardo Salgado Rodrigues.
De acordo com o professor, a perspectiva de interesses geopolíticos e energéticos dos Estados Unidos na região é uma das principais motivações para o ataque. A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do sistema internacional, e os EUA buscam controlar essas reservas para garantir seus interesses futuros. Além disso, a região da Amazônia sul-americana é rica em minerais estratégicos, que são de interesse imediato dos EUA para os próximos ciclos científico-tecnológicos.
Na perspectiva jurídica do direito internacional, o ataque a um país é proibido, com exceção de duas situações: quando há autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou em caso de legítima defesa. A ofensiva dos EUA na Venezuela é ilegal e pode ser entendida como crime de agressão, segundo o Estatuto de Roma.
O professor da UFRJ ressalta que a Venezuela já vinha sendo alvo de guerra econômica, com sanções, e que o ataque pode abrir precedente para uma futura intervenção no Brasil. Além disso, a declaração de Donald Trump em dezembro de 2025, de que qualquer país envolvido no envio de drogas para os EUA poderia se tornar alvo de ataques militares, coloca o Brasil no radar geopolítico norte-americano.
A situação pode intensificar a crise migratória na fronteira da Venezuela com a Colômbia e o Brasil, conforme prevê o professor da UFRJ. Já o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou o ataque como “gravíssima agressão militar” e afirmou que o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil.



