Política e Economia

Banco de Brasília anuncia acordo inédito para vender ativos herdados

O Banco de Brasília (BRB) anunciou recentemente um acordo inédito para estruturar a venda de até R$ 15 bilhões em ativos herdados do Banco Master. O objetivo principal dessa operação é reforçar o caixa do banco e conter a crise de liquidez gerada após as transações fraudulentas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A venda de ativos será realizada por meio de um fundo de investimento em parceria com a gestora Quadra Capital. O valor de R$ 15 bilhões será pago de forma gradual, com uma parcela financeira à vista, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, e o resto em cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.

Segundo o comunicado do BRB, a operação visa a alienação dos referidos ativos com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital e liquidez do banco, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio. A instituição estatal também destacou que a Operação possui valor de referência de R$ 15 bilhões, sendo composta por: (i) parcela financeira à vista, de no mínimo R$ 3 bilhões e até R$ 4 bilhões; e (ii) parcela remanescente, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, representada por cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.

A crise gerada pelas negociações com o Master levou a cúpula do BRB a buscar uma interlocução direta com o Banco Central e o mercado financeiro. A proposta de venda dos ativos já fazia parte das discussões e foi apresentada como uma das principais saídas para estabilizar a instituição. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), tem sido enfática em reiterar que seu mandato está agindo para salvar o banco, e que ela não teve conhecimento das operações firmadas com o Master enquanto ainda era vice de Ibaneis Rocha (MDB-DF), que deixou o cargo no mês passado para se candidatar ao Senado em outubro.

A medida é considerada essencial para cobrir o impacto financeiro deixado pelas operações autorizadas anteriormente pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal na semana passada. Costa é apontado pela investigação como operador de Vorcaro dentro do BRB em troca de R$ 146 milhões em propinas através de imóveis de luxo em São Paulo, além do comando em uma holding que seria fundada futuramente após a venda do Master ao banco estatal.

A estratégia ocorre em meio a uma nova pressão sobre o caixa do BRB, que busca reorganizar as finanças após perdas associadas à operação com o Master. Mesmo com a venda, a instituição ainda dependerá de reforço externo, e o governo distrital articula um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e outras instituições financeiras.

A transação do BRB com a Quadra Capital é considerada etapa relevante no processo de readequação da Companhia, com expectativa de efeitos positivos sobre a liquidez, a gestão de ativos e a racionalização patrimonial.

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