
O maquinário histórico e as futuras instalações do Museu Ferroviário Comendador José Giorgi encontram-se em uma situação delicada. Durante a vistoria técnica realizada pelos conselheiros do COMTUR na manhã desta quarta-feira, foi constatado que o Trem Turístico e Cultural Moita Bonita, a famosa Maria Fumaça “Dona Linda”, pode ter suas futuras operações prejudicadas devido à deterioração severa de componentes essenciais para o seu funcionamento.
Tubulação Apodrecida Ameaça a “Dona Linda”
O ponto mais crítico apontado na inspeção refere-se ao sistema de tubulação da locomotiva. Segundo os levantamentos feitos no local, a estrutura metálica interna apodreceu, inviabilizando o uso seguro do equipamento. Estima-se que os reparos necessários para a substituição de toda a tubulação comprometida alcancem a marca de R$ 100 mil. Sem essa intervenção, a máquina não teria condições operacionais de rodar pela ferrovia, colocando em xeque um dos principais atrativos da cidade.
Entre os problemas relatados estão:
- Tubulações deterioradas que precisam ser substituídas;
- Equipamentos furtados ao longo dos últimos anos, incluindo baterias e fiações;
- Necessidade de inspeção técnica completa;
- Dependência de autorização da concessionária ferroviária para utilização da linha;
- Necessidade de restauração de componentes mecânicos.
Durante a visita também foi lembrado que a cidade vizinha de Jaguariúna mantém operação ferroviária turística utilizando locomotivas a diesel para apoio, modelo que poderia servir como referência para futuros estudos em Paraguaçu Paulista.
Desafios no Acervo e Manutenção Contínua
Além do problema mecânico direto, a visita às futuras instalações do Museu Ferroviário revelou a complexidade de manter o acervo e o espaço físico. Os conselheiros debateram sobre investimentos anteriores, como a troca de dormentes feita recentemente por empresas parceiras, mas alertaram que o ritmo de degradação da via e dos vagões ainda supera a velocidade de conservação. O contrato atual de concessão da malha e a proximidade do seu vencimento também foram motivos de alerta.
A constatação é unânime: ou se estabelece um plano de manutenção permanente e preventivo, ou o desgaste do tempo continuará exigindo somas vultosas aos cofres públicos apenas para reparos emergenciais. O turismo ferroviário de Paraguaçu Paulista precisa de soluções definitivas para não descarrilar. O patrimônio ferroviário possui enorme potencial para geração de turismo e movimentação econômica, mas depende de planejamento e continuidade dos investimentos.



