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Irmã Eva Maamo, a ‘Freira da Cura’, morre aos 85 anos

Um legado de fé e medicina que atravessou fronteiras

Aos 85 anos, faleceu Irmã Eva Fidela Maamo, uma figura que redefiniu o conceito de missão humanitária. Conhecida em todo o território filipino como a ‘Freira da Cura’, ela dedicou décadas de sua vida a democratizar o acesso à saúde, acreditando piamente que o atendimento médico é um direito fundamental, e não um privilégio para poucos.

Sua trajetória não foi marcada por luxos, mas por um compromisso visceral com os mais desamparados. Em um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira, na década de 1970, Irmã Eva realizou uma cirurgia complexa em uma mulher indígena utilizando apenas uma mesa de bambu e água de coco para manter a paciente hidratada. O procedimento, ocorrido em Lake Sebu, foi a única alternativa diante de horas de caminhada em terrenos de difícil acesso.

O treinamento dos ‘médicos descalços’

Mais do que tratar doenças, Irmã Eva buscou capacitar as próprias comunidades. Ela instituiu o treinamento de ‘médicos descalços’, homens e mulheres locais preparados para realizar procedimentos básicos, exames físicos e primeiros socorros em áreas rurais. Ao longo dos anos, mais de 270 pessoas foram treinadas sob sua tutela em mais de 100 comunidades indígenas, como os T’boli, Aeta e Manobo.

Essa abordagem transformou a dinâmica de saúde dessas tribos. Mesmo após o desastre causado pela erupção do Monte Pinatubo em 1991, ela esteve presente, não apenas oferecendo alívio imediato, mas auxiliando na reconstrução social e no reassentamento de centenas de famílias afetadas.

Uma vida consagrada ao serviço

Nascida em 1940 em Liloan, Irmã Eva equilibrou com maestria a vocação religiosa e a prática clínica. Formada em Medicina, ela ingressou nas Irmãs de São Paulo de Chartres em 1974, dando início a uma jornada que a levaria a receber o Prêmio Ramon Magsaysay, frequentemente chamado de ‘Prêmio Nobel da Ásia’, em 1997.

A Fundação da Missão Nossa Senhora da Paz, criada por ela em 1984, e o hospital homônimo fundado em 1992, permanecem como pilares de seu trabalho. Essas instituições, até hoje, garantem que a dignidade humana seja preservada através de cuidados médicos gratuitos e programas de segurança alimentar. A ‘Freira da Cura’ deixa um exemplo irrefutável: a medicina, quando exercida com compaixão, torna-se a ferramenta mais poderosa de transformação social. Seu falecimento representa a perda de uma das maiores vozes na defesa dos marginalizados, mas seu espírito de serviço continua a inspirar novas gerações de profissionais da saúde ao redor do mundo.

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