
Todos os dias nos deparamos com feminicídios. Infelizmente, chegamos ao triste número de quatro casos por dia. Hoje, o Brasil é o quinto país do mundo em número de feminicídios, e esse dado é alarmante. Segundo estudos, para cada feminicídio temos, em média, três crianças órfãs. Além de perderem a mãe, essas crianças perdem a família, o lar e toda a sua referência de vida: o amor e a proteção.
Os traumas nessas crianças são enormes. É uma dor que será carregada pelo resto da vida, já que a mãe é, na maioria das vezes, o pilar da família. Muitas vezes, os irmãos são separados, pois nem sempre avós, tias ou outros parentes têm condições de cuidar das crianças juntas, na mesma casa. E, para completar a tragédia, esses órfãos muitas vezes são criados pela família do agressor ou, ainda, pelo próprio agressor. Como fica a cabeça de uma criança que precisa conviver com o pai que agredia sua mãe e, pior, foi quem tirou a vida dela? Essa pessoa destruiu toda a referência de família e acabou com tudo o que a criança conhecia como lar. Essas crianças crescem fragilizadas e, principalmente, desprotegidas. Elas perdem suas histórias.
Os órfãos perdem a referência familiar e enfrentam um caminho árduo pela frente. Muitos vão peregrinar de casa em casa, vivendo como agregados, sendo vistos como um peso. O impacto psicológico dessa situação é avassalador. Muitos ainda enfrentam abuso moral, vivem de migalhas, são destratados, humilhados, obrigados a trabalhos forçados, espancados e, pior, muitos são vítimas de abuso sexual por parte de quem deveria protegê-los.
Precisamos que homens de verdade conscientizem esses agressores em conversas informais — no futebol, em encontros, em qualquer momento — de que quem bate em mulher é covarde. É fundamental conscientizar sobre o sofrimento dos filhos, da família, e reforçar que mulher nenhuma merece perder a vida. A frase “quem ama não mata” precisa ser repetida o tempo todo.



