EditorialOpinião

OTIMISMO X PESSIMISMO

por Sandra Campos

Eu vivia reclamando da vida, resmungando por tudo… até o dia em que um assalto mudou completamente a minha forma de enxergar o mundo. Voltando do trabalho, passei na agência de carros de um amigo e peguei um carro. Saí de lá feliz, leve, cheia de planos. No dia seguinte, iria financiar e fazer o seguro. Mas, no caminho para casa, tudo desmoronou. Fui assaltada. Levaram o carro, o computador e o celular.

O desespero tomou conta de mim. Como eu iria pagar aquele carro? Como resolver aquilo tudo? Voltei para casa em prantos, abalada pelo susto, pela perda e pelo medo. Deitei na cama, mas o sono não vinha. Só a revolta. Minha família dormia, e eu chorava sozinha. Gritei. Xinguei. Questionei Deus. Não aceitava o que tinha acontecido comigo.

Liguei a televisão, e naquele exato momento passava uma reportagem sobre o tsunami que havia ocorrido naquele dia. Uma tragédia que devastou um País. Pessoas sem casas, sem famílias, sem futuro. As imagens eram chocantes. Uma dor coletiva impossível de descrever. Naquele instante, algo quebrou dentro de mim. Me senti pequena. Egoísta. Envergonhada. Desliguei a TV, chorei ainda mais e pedi perdão a Deus. Disse a Ele que não precisava me devolver o carro. Que eu trabalharia, lutaria e conquistaria tudo novamente. Só pedi forças. Adormeci.

Horas depois, a Polícia Militar ligou dizendo que haviam encontrado o carro em uma favela. Eu não tinha nem condições de ir até lá. Um policial foi até minha casa, me buscou, arrumaram um guincho fiado e conseguimos levar o carro de volta para a agência. No dia seguinte, o mecânico descobriu algo assustador: a barra de direção havia quebrado enquanto o bandido dirigia. Ele olhou para mim e disse:

“Se fosse você ao volante, talvez não estivesse aqui hoje.” Foi ali que eu entendi. Nenhum bem material vale uma vida. Nenhum carro, nenhum dinheiro, nenhum objeto vale a nossa saúde ou a vida de quem amamos. Nós não entendemos os porquês, mas Deus entende tudo. Sempre conto uma história que resume isso: O pessimista bate o carro. Sai ileso, sem um arranhão. Cai de joelhos e diz: “Minha vida acabou. Perdi tudo. Não tenho mais como trabalhar.” Ele se afunda na dor, na revolta, no medo… e vai morrendo aos poucos por dentro.

O otimista, ao sair do mesmo acidente ileso, cai de joelhos e agradece. Chora de alívio. Vai para casa, abraça sua família e diz: “Estamos vivos. Vamos recomeçar.” Problemas todos nós temos. O que muda é a forma como escolhemos enfrentá-los. Reclamar, se revoltar e se fechar só aprofunda a dor. A esperança, mesmo ferida, nos mantém de pé. Por mais difícil que seja o seu sofrimento — seja uma perda, uma dor financeira, um amor que acabou, um vício ou uma doença — lute. Não se entregue. Nosso próprio cérebro pode nos sabotar e nos convencer de que não há saída… mas há.

Estamos em 2026. E todos os dias temos a chance de escrever uma nova história. Uma história com mais amor, empatia, esperança, gratidão e humanidade.

 

Sandra Campos perdeu, há dois anos, seu filho de 24 anos. Transformou sua dor em propósito e se tornou uma ativista pela vida com o projeto “Não te julgo, te ajudo!” Ela se coloca à disposição para ouvir, gratuitamente, pessoas que estão sofrendo.  Celular: (11) 94813-7799

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