PL tenta reaproximar Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro
Crise interna coloca em xeque a unidade do PL
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, iniciou uma articulação intensa para convencer a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a participar do encontro com mulheres conservadoras, organizado pelo senador Flávio Bolsonaro. A reunião, agendada para esta quarta-feira (1º), é vista por lideranças da sigla como um movimento decisivo para superar o desgaste público entre as duas figuras centrais do partido.
A tentativa de reconciliação acontece em um momento crítico, onde a presença de Michelle é considerada indispensável. Valdemar tem reforçado internamente que a ausência da ex-primeira-dama pode comprometer seriamente a viabilidade eleitoral da pré-candidatura de Flávio à Presidência da República. “Se perdermos a Michelle, a eleição vai ficar muito difícil para nós”, admitiu o dirigente a interlocutores próximos.
O impasse e as divergências políticas
O racha entre Michelle e Flávio ganhou contornos públicos após a ex-primeira-dama, que também preside o PL Mulher, criticar duramente a condução do partido em alianças regionais, especificamente a decisão de apoiar Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. Segundo ela, houve desrespeito durante as negociações, o que teria levado ao rompimento da relação ainda no final de 2025.
Apesar do convite público feito por Flávio, que adotou um discurso conciliador afirmando que “o que está em jogo no Brasil está muito acima de qualquer vaidade”, a participação de Michelle permanece incerta. A ex-primeira-dama é hoje um dos maiores ativos eleitorais do PL, possuindo forte trânsito entre o eleitorado evangélico e feminino, o que torna sua adesão ao projeto de Flávio um termômetro para a coesão do partido.
Expectativa por uma solução
A reunião marcada para esta terça-feira (30), na sede do PL em Brasília, é o teste definitivo para a capacidade de articulação de Valdemar Costa Neto. O encontro servirá para medir o quanto as mágoas do passado recente podem ser deixadas de lado em prol do projeto nacional da legenda. A expectativa é que o gesto de unidade, caso concretizado, ajude a dissipar as tensões que ameaçam a estrutura partidária meses antes da disputa eleitoral.
Enquanto os bastidores fervem, a militância aguarda um sinal de pacificação que garanta o fortalecimento da candidatura bolsonarista, essencial para a estratégia de poder desenhada pelo alto comando do partido para os próximos meses.



