Polícia Federal solicita provas contra Eduardo Bolsonaro e abre processo administrativo disciplinar
A Polícia Federal (PF) recentemente solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, permissão para utilizar provas de um inquérito contra Eduardo Bolsonaro, que tramita na Corte, sob a acusação de coação. A instituição solicitou acesso aos dados na última segunda-feira para instruir o processo administrativo que visa à exoneração do ex-deputado do cargo de escrivão. Em resposta, o ministro despachou a questão à Procuradoria-Geral da República e estabeleceu um prazo de cinco dias para que se manifeste.
A Polícia Federal abriu um processo administrativo disciplinar em janeiro deste ano para punir o abandono de cargo por parte de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal do PL-SP. A corporação concedeu um prazo de 15 dias para a apresentação da defesa, conforme citação publicada no Diário Oficial da União na última terça-feira. Segundo o documento, o prazo passa a contar a partir da publicação do edital, e caso não haja manifestação dentro do período estabelecido, o processo seguirá à revelia.
A investigação, aberta pela Corregedoria da PF, visa apurar faltas consideradas injustificadas ao cargo de escrivão. De acordo com a instituição, o ex-parlamentar se ausentou do serviço por mais de 30 dias consecutivos sem justificativa, caracterizando abandono do cargo e resultando na demissão do serviço público. O edital afirma ainda que Eduardo Bolsonaro se encontra atualmente em um “lugar incerto e não sabido”, após ter se mudado para os Estados Unidos em fevereiro de 2025.
A Polícia Federal havia determinado anteriormente que Eduardo Bolsonaro retornasse ao cargo de escrivão, para o qual foi aprovado em concurso público em 2010. Porém, ele não reassumiu as funções após o término do mandato parlamentar, registrando faltas não justificadas. O cargo é vinculado a uma delegacia da Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ).
Eduardo Bolsonaro esteve afastado da PF enquanto exercia o mandato na Câmara dos Deputados. O afastamento encerrou-se com a perda do mandato, em dezembro de 2025, após o ex-parlamentar ultrapassar o limite de faltas permitido em sessões deliberativas da Casa. Apesar da convocação para reassumir a função policial, Eduardo não retornou ao Brasil, levando a Polícia Federal a determinar o afastamento preventivo e a abertura do processo disciplinar, cujo desfecho pode ser a demissão definitiva dos quadros da corporação.


